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As
incríveis aventuras de uma estudante de jornalismo na Serra
do Roncador em meio aos índios Xavantes, rituais
de iniciação e guardiões de portais místicos
Texto e Fotos: AMANDA SILVA MANSUR NOGUEIRA
Sacudindo
as emoções e a poeira em estradas desse Brasil afora,
nós repórteres vivemos histórias que muitas
vezes não são contadas em nossas reportagens. A
não ser que a experiência seja parte da informação,
quando então nossas vivências podem ser relatadas.
Esse é o caso do meu encontro com os índios Xavantes.
A
Serra do Roncador, situada no paralelo 15º, no estado do
Mato Grosso, é com certeza uma das regiões mais
encantadoras do Brasil central. Este nome vem do ronco que muitos
ouvem nesta serra, que tem sua história marcada por aventuras,
lendas e mistérios. A
origem da civilização Inca, o paralelo 15º,
o Templo de Ibez, o caminho de Ló, Agartha, Shamballah,
o chacra do planeta, o portal de Aquarius, vulcões extintos,
fósseis de dinossauros e discos-voadores são atrativos
para cientistas, curiosos e místicos de toda parte. A região
possui belíssimas grutas e cavernas ainda inexploradas,
e é habitada pelos índios Xavantes e Bororos, o
que aguça ainda mais a curiosidade de quem visita a região.
O
contato com estes índios é um pouco chocante. Temos
que afugentar velhos conceitos, olhar além, escutar além.
Curtir cada detalhe minuciosamente. E ficar atento à simplicidade
que é fruto de uma tradição passada boca
a boca, passo a passo, mão a mão. É preciso
abrir as portas do nosso coração e deixar entrar
o que há de mais sutil: a essência deste povo. É
preciso entender que o tempo é outro. Tempo para passar
dias na água se purificando para uma nova etapa, tempo
para sonhar, tempo para falar com os espíritos, sentir
a natureza, adorar o deus Sol e Lua, Água e Fogo. É
redescobrir a nossa essência e religarmos em nossas origens.
O
encontro aconteceu dia 26 de abril de 2000, e quem fez a nossa
ligação com a tribo foi Aírton Iappe, chamado
de Laranjinha. Ele mora no município mato-grossense de
Água Boa, trabalha como assessor de imprensa do prefeito
e nas horas vagas, por puro prazer, mostra as belezas inexploradas
do Mato Grosso. Era começo da tarde quando partimos para
a reserva Pimentel Barbosa. Entramos em uma estrada de terra bem
precária, com buracos onde caberia uma pessoa deitada.
A poeira solta batia em nossos cabelos e entrava nos olhos atrapalhando
a observação da paisagem. O clima era bastante tenso.
Senti como se estivesse rasgando o coração do lugar.
Quanto mais entrávamos na mata, mais o coração
apertava. Começamos a ver uns vultos, umas pessoas escondidas.
Fiquei meio inquieta e curiosa. Eram eles.
Quase
chegando na aldeia, muitos já nos esperavam na porta das
ocas. De longe eu avistava a Montanha do Trimurde também
chamada Tridente ou a Montanha do Gigante. São três
serras, uma com o formato de um gigante deitado com os braços
abertos e as outras duas redondas, parecendo duas tartarugas,
a mãe e a filha. A impressão era de que a paisagem
nos vigiava. Quando avistei a aldeia chamada Caçula, meu
coração bateu mais forte ainda, minhas mãos
estavam geladas. Meu marido Carlos me olhava como se estivesse
assustado também. Laranjinha bateu no vidro do lado de
dentro da cabine e quando olhamos fez um sinal mostrando que aquela
era a aldeia. Laranjinha pensou que o Cacique Sereñimiriãmi,
ou Ivã, não estivesse na aldeia então, e
passou direto por sua oca, se dirigindo à escola. Descemos
e as crianças correram para nos observar de perto. Ninguém
nos tocava, só olhavam curiosos. Mexeram um pouco na caminhonete
e nos equipamentos. Muitos índios adultos vieram nos cumprimentar
e sabiam falar "como vai?" ou "tudo bem?".
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