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  Eu e meu cachorro
na estrada aberta

As aventuras de Bárbara Arisi e Farah pelos caminhos da América do Sul

Foto: Bárbara Arisi
DÉBORA LERRER


Ser a primeira mulher a percorrer sozinha, de carro, sete países do sul da América Latina e conhecer melhor os povos vizinhos, suas diferenças e semelhanças: este era o objetivo da Expedição Nômade, aventura a que se propôs a jornalista Bárbara Arisi, 29 anos. A bordo de um FIAT Palio Adventure, e acompanhada de sua cachorra Farah, uma pastora-alemã de quatro anos, Bárbara cruzou estradas do Brasil, Paraguai, Uruguai, Argentina, Chile, Peru e Bolívia. No total, foram cinco meses na estrada e 40 mil quilômetros rodados, o equivalente à circunferência da Terra. A jornalista saiu do Pátio do Colégio, no centro da capital paulista, no dia 15 de dezembro de 1999, rumo à Patagonia, no sul do continente. O trajeto a levou a subir pela rodovia Panamericana, conhecer os Andes, o Oceano Pacífico e cruzar o interior da Bolívia para voltar ao Brasil pelo Mato Grosso.

Por este percurso, a jornalista viajou munida com uma câmara digital, uma câmara fotográfica, um laptop e um gravador, registrando imagens, entrevistas e impressões que brevemente serão transformadas em livro e em documentários para a TV.


Trajetória

De São Paulo, Bárbara desceu para os estados do Sul. Por Foz do Iguaçu, entrou no Paraguai, onde acampou no Jardim Zoológico de Assunção. Passou pelas missões jesuíticas e desceu para o Uruguai. Pegou um ferry-boat em Colônia do Sacramento, cruzou o Rio da Prata e aterrissou em Buenos Aires. Desceu até Ushuaia, cidade mais austral do mundo e subiu a rodovia Panamericana, de Puerto Montt, no Chile, até Lima, no Peru; no caminho acampou no Deserto de Atacama. Foi até os gêiseres El Tatio, contrariando as previsões de que é preciso um carro com tração nas quatro rodas para chegar lá.

No Peru, a bordo de um Cesna, a jornalista sobrevoou as famosas linhas de Nazca, desenhos enormes feitos na areia do deserto, mistério que alguns cientistas dizem ser um mapa para encontrar água em fontes subterrâneas e outros dizem ser um calendário astrológico para marcar épocas de colheita. A pé, Bárbara fez a Trilha Inca, em Machu Picchu, onde ficou impressionada com a tecnologia da época. "A engenharia hoje não tem tecnologia para esculpir as pedras que serviram para construir os muros e palácios de Cusco", diz. "Estas civilizações desapareceram e os conhecimentos delas foram junto".

Sua viagem pelo Peru coincidiu com o primeiro turno das eleições presidenciais e ela ficou impressionada com a militarização. "Os peruanos são tristes, as pessoas não conversam muito. Em qualquer lugar tem exército armado nas ruas, até em frente das escolas. Mas vi várias manifestações populares contra Fujimori, mesmo em Lima". Embora ela tenha visto um povo infeliz, em Ayacucho, região onde nasceu o Sendero Luminoso, Bárbara conversou com muitas pessoas que declararam estarem mais aliviadas e felizes porque Fujimori havia acabado com o terrorismo e o Sendero não existia mais.

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LEIA MAIS

Para quem quiser saber mais sobre a viagem da Bárbara, e ver as fotos e divertidos relatos da Farah, a cachorra, o site da Expedição Nômade tem tudo - até receitas típicas das regiões visitadas pela jornalista.

 
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