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"Ajudar-nos
uns aos outros e procurar a harmonia: essa é uma busca interna.
Não adianta querer mudar as condições externas, nós não vamos
conseguir. A partir da busca interna, aí sim, conseguiremos
ver o efeito disso externamente". Chagdud
Tulku Rinpoche
ALESSANDRA
NAHRA
| Foto: ALESSANDRA NAHRA |
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Poderia ser apenas mais um passeio
à Serra Gaúcha. Gramado, Canela,
Festival de Cinema, aquele friozinho
romântico, fondue e bom chocolate.
Mas ainda estava calor, o festival
é só em junho, e quando saímos
de Porto Alegre em direção à
serra, eu e minha avó tínhamos
uma missão diferente. Ou melhor:
eu tinha. A Dona Tita, curiosa
que é, apenas não resistiu à
oportunidade de encontrar um
verdadeiro mestre budista. Quem
resistiria?
Escondido no meio das cidadezinhas
simpáticas e do povo hospitaleiro,
o Centro Budista de Três Coroas
atrai um turista que não quer
saber de comprar casacos de
malha e se entupir de galeto.
Nunca antes aquela estradinha
de terra que começa na RS-115
e serpenteia morro acima viu
tanta gente passar. É tanta
subida e curva e barro que o
visitante às vezes acha que
se perdeu. O povo, gente simples
de origem italiana, informa
que o caminho não parece, mas
é aquele mesmo. Eles se espantam:
de repente esse movimento todo
na esquecida estradinha que
passa na frente de suas casas.
Ninguém passava ali antes, já
que não levava a lugar nenhum.
Agora leva, e o Centro Budista
Chagdud Khadro Ling tornou a
vida deles um pouco mais movimentada.
Dona Tita, inquieta na estrada
que parecia não chegar nunca,
comentou que o objetivo dos
budistas lá em cima deveria
ser mesmo o de se esconder.
Depois descobrimos que é bem
ao contrário. Budistas são,
porém, um povo calmo. Eles não
fazem alarde, não tentam convencer
ninguém nem arrecadar seguidores.
Quem quiser, os encontra. É
só seguir as placas até uma
que diz mais ou menos "bem vindos
ao centro budista - não é permitido
fumar além desse portão". Depois
de mais uma subida acompanhada
de curva, a visão que se tem
transporta diretamente para
o Tibet.
Não parece mais a serra gaúcha.
Três Coroas, Dharamsala ou Lhasa,
tanto faz: estamos em território
budista. O templo, lindo e imponente,
de um vermelho rosado bem no
alto de uma colina. As casinhas
ao redor. As bandeirinhas tibetanas.
As montanhas e o verde. A calma.
| Foto: ALESSANDRA NAHRA |
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No dia em que fomos, o templo
estava fechado para visitas, já
que era dia de semana. Quarta-feira
de cinzas, aliás. E as pessoas
estão saindo de um retiro que
durou o carnaval inteiro, onde
o silêncio era um voto. Ainda
encontramos alguns dentro do templo,
em diferentes práticas. O budismo
tibetano é colorido, vivo.
Os praticantes entoam mantras
e tocam instrumentos. Acendem
velas, meditam e contemplam. O
templo, por dentro, parece uma
loja de balas, em seu multicolorido.
Andréa, a assessora de imprensa,
me diz que trouxeram um artista
da Índia para pintar os painéis.
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