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Gerente
de uma agência de viagens em Cusco
e especialista em cultura andina, Roger
Espinoza já guiou, por terras
peruanas, figuras como David Rockefeller
e a princesa Anne, da Inglaterra. Nesta
entrevista a PLANETA, ele conta um pouco
da fantástica história
do povo inca
Por
FÁTIMA AFONSO
PLANETA Qual a importância
de Cusco para o mundo inca?
Roger No mundo mitológico
inca, Cusco significa o centro que
vai unindo os caminhos do deus criador,
Wiraccocha, que nasceu no Lago Titicaca
e, manifestando-se, chegou à
zona norte de Cusco. Ali criou um
jardim que se chamou As Montanhas
Sagradas. Então se foi, seguiu
construindo outros mundos e prometeu
que regressaria um dia. Esperávamos
que Wiraccocha se manifestasse em
um pachacutec, um período de
transformação do mundo.
PLANETA E isso seria
para quando?
Roger Diz-se que cada
pachacutec dura cerca de 500 anos.
Pachacutec é também
o nome do primeiro inca histórico,
que esteve aqui de 1436 a 1470, aproximadamente.
PLANETA Mas Wiraccocha
regressou?
Roger Não, mas
houve pachacutecs anteriores, não
como pessoas, mas como o conceito
de um momento de transformação
do mundo. Para muitas pessoas, 500
anos depois do Descobrimento da América,
em 1992, teve início um período
que se chama o novo pachacutec.
PLANETA Que modelo sócio-econômico
foi adotado pelo povo inca?
Roger Antes de mais
nada, temos de compreender que o mundo
inca é, em princípio,
uma sociedade agrária. Então,
o que nós chamamos cidade não
tem as funções das cidades
européias. A zona dos Andes
Centrais esteve intensamente povoada,
chegando a ter 15 milhões de
habitantes. Essa zona teve um regime
social no qual a nobreza e a família
do Inca exerciam o governo em associação
às casas governantes de todos
os povos que lhe eram incorporados,
através de relações
maritais e relações
físicas de ocupação
de território. No meio de um
templo importantíssimo da costa
peruana, como é Pachacamac,
por exemplo, se construiu um palácio
inca, sem que se usurpassem as nobrezas
que existiam nesse lugar, incorporando-as
ao governo inca. Tínhamos,
então, uma grande massa de
homens, talvez 90% da população,
que eram os runas, ou a gente do povo.
Finalmente, tínhamos os povos
que eram desprezados, ou aqueles que
não haviam aceitado de bom
grado o governo dos incas. Eles eram
trazidos de um lugar para habitar
outro. E não havia coisa mais
difícil no mundo andino do
que um homem deixar suas raízes.
Isso significava deixar sua paqarina,
sua origem.
Entre esses três status, havia
uma diferença de poder: quem
mandava em quem. Sem dúvida,
não havia mais ricos. Há
uma palavra no idioma quéchua,
ccapac (que hoje em dia se utiliza
como mais rico que outra pessoa),
que significa o mais poderoso, aquele
que tem mais poder.
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