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Viver
em uma cidade grande e tentar contribuir para a preservação
do meio ambiente parece uma tarefa impossível. Mas a procura
por soluções ecológicas tem promovido o desenvolvimento
de diversas alternativas que, inclusive, podem encontrar
lugar em seu armário: as roupas e acessórios ecológicos.
DÉBORA
LERRER
A preocupação de promover o menor impacto possível na natureza
motivou algumas pessoas a criar e investir na produção de
roupas e acessórios a partir de matérias-primas naturais,
materiais reciclados ou reutilizados que dão um resultado
charmoso e bonito, além de serem ecologicamente corretos.
"Sempre fomos catadores de lixo, fazíamos esculturas com garrafas
PET, sempre tivemos a idéia de transformar lixo em algo legal",
conta Vera Nunes, uma das donas da empresa BR-3, que produz
bolsas e mochilas confeccionadas com câmaras vazias de pneus
que ostentam design bastante ousado. Certo dia, ela e o irmão
Walter, 33 anos, passaram por um rio repleto de câmaras de
pneu e, indignados com aquilo, decidiram fazer algo. "Ficamos
olhando dias e dias aquelas câmaras de pneus, até que surgiu
uma bolsa, costurada com máquina de costura de mãe", lembra
Vera.
No início eles vendiam para os amigos, até que um publicitário
amigo deles achou a idéia muito legal e decidiu investir.
Começaram a expor no Mercado Mundo Mix, em todo o Brasil,
e as bolsas começaram a fazer sucesso, chegando a ser vendidas
pelo mundo todo pela C&A. No ano passado, a bolsa de festa
da BR-3 se tornou o brinde no Morumbi Fashion. "Foi uma surpresa
até para mim ver a Constanza Pascolato dizer que aquelas bolsas
eram o máximo", diz Vera, que conta ter entrado no mundo dos
reciclados "por falta de grana mesmo". A proposta é levada
tão a sério que na empresa e no ateliê só as máquinas de costura
não são resultado do reaproveitamento de lixo.
Roupa de garrafa
Sabe aquelas prosaicas garrafinhas de plástico de refrigerantes,
feitas com um sub-produto do petróleo, o PET? Por incrível
que pareça, elas são a matéria-prima de mantas e xales macios
e resistentes, tecidos produzidos artesanalmente em teares
mineiros de madeira em Espírito Santo do Pinhal, no interior
de São Paulo. Ao apreciá-los, fica difícil imaginar que eles
vêm daquelas garrafas responsáveis por 50% dos entupimentos
de bocas-de-lobo da capital paulista.
"Enquanto não dá para evitar o consumo de PET, que ele pelo
menos seja reciclado", diz Márcio Araújo, coordenador do IDHEA
(Instituto para o Desenvolvimento da Habitação Ecológica),
que vem promovendo uma exposição com o vestuário e acessórios
ecológicos.
Daniela Moreau, dona da Baobá, a empresa que confecciona estes
xales e mantas, conta que a idéia surgiu a partir da vontade
de usar fios "ambientalmente corretos" na tecelagem. "Comecei
usando resíduos da indústria da seda. Depois conheci o trabalho
da Patagonia, empresa norte-americana que produz roupas para
esportes e que utilizam tanto o PET reciclado como a algodão
orgânico produzido sem agrotóxicos". Decidida a procurar estas
matérias-primas aqui no Brasil, Daniela chegou a Unnafibras,
empresa que produz fibras de poliéster a partir de garrafas
PET recicladas.
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