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| Espreguiçadeira
Macunaíma, em sucupira vermelha e látex de seringueira.
Por Pedro Paulo Santoro. |
Além
da Imaflora, que faz parte de uma rede de ONGs certificadoras,
a Smart Woods, existem duas empresas estrangeiras de certificação
atuando no Brasil, através de seus representantes - a SGS
e a SCS. Ao todo, já existem quase 700 mil hectares de
florestas certificadas no Brasil e dezenas de produtos com selo
FSC. Por enquanto, só uma delas atua na Amazônia,
a Precious Woods, também conhecida como Mil Madeireira,
uma empresa suíça. Logo, logo a GETHAL Amazonas,
empresa de capital misto, receberá certificação.
De acordo com Ruy de Goes, do Greenpeace, o processo de certificação
de madeiras está bastante acelerado no Brasil, que é
o país com maior área de florestas plantadas do
mundo. "A certificação começou em 1995
e 10% das florestas plantadas já possuem certificado do
FSC". Além disso, mercado para esse produto também
não deve faltar. Em abril desse ano foi criado um grupo
de compradores brasileiros que já demandam 1 milhão
de metros cúbicos por ano de madeira certificada.
Desafio
em design
No
total, 38 designers brasileiros aceitaram o desafio de trabalhar
na concepção de diversos objetos com madeiras provenientes
de florestas certificadas para a exposição do D&D
Shopping. Todos os produtos da mostra foram executados com madeira
maciça ou com painéis processados industrialmente;
provenientes da Amazônia ou reflorestadas.
Todas
as peças levam o selo FSC obtido pela cadeia de custódia
da empresa Brasil Faz Design, que alcançou notoriedade
com a exposição de objetos projetados por designers
brasileiros na Feira de Milão.
A
exposição "Design & Natureza - Madeira
Certificada" é a segunda edição
da proposta, encampada pelo shopping D&D dentro de um projeto
de ações voltadas à melhoria do meio ambiente.
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| Luminária
Águia Vs, por Jorge Beschizza. |
No
ano passado, embalada pelo trabalho desenvolvido pelo designer
argentino Christian Ullmann, a Brasil Faz Design, Marili Brandão
associou-se a ele para organizar uma exposição de
design em cima de 15 espécies de madeiras da floresta amazônica
que não são exploradas economicamente - mas que
são igualmente derrubadas na busca pelas madeiras de mais
forte apelo comercial. "Na Amazônia existe madeira
roxa, amarela, vermelha, preta, branca, com todos os tons de creme.
Essas madeiras são duras e resistentes, mas são
jogadas fora pela simples falta de conhecimento", explica
Ullmann, que desembarcou no Brasil há quatro anos para
trabalhar na pesquisa coordenada por Maria Helena de Souza, do
Laboratório de Produtos Florestais do Ibama (Instituto
Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Renováveis), que
gerou uma exposição de madeira alternativa por todo
o Brasil.
Diante
do sucesso da exposição do ano passado, a Imaflora
sugeriu que Ulmann e Marili Brandão fizessem uma exposição
de designers brasileiros em cima de madeiras certificadas. Além
do contato com os designers, os curadores da mostra também
entraram em contato com os fornecedores, para garantir o material
a ser trabalhado - todos com selo FSC obtido pela cadeia de custódia
da Brasil Faz Design. Alguns dos produtos desenvolvidos para a
exposição, como os vazos "Zen", de Anete
Ring e Sara Rosenberg, já têm garantida sua entrada
na linha de produção da empresa moveleira Tok Stock.
O
designer Pedro Paulo Santoro, autor da espreguiçadeira
"Macunaíma", feita com sucupira vemelha e látex
de seringueira, já trabalhava com materiais reciclados
antes de projetar a "Macunaíma" para a exposição.
Ele acha que daqui a algum tempo a madeira certificada "vai
ser mais do que uma tendência, vai ser obrigatória."
Jorge
Beschizza, autor da luminária "Águia Vs",
feita em chapa de fibra de eucalipto, conta que foi sua primeira
experiência de trabalho com madeira. "É um novo
nicho, pois o designer tem que atuar com materiais politicamente
corretos", diz Além do material usado, Beschizza também
inovou no sistema de iluminação. Ele usou o "led",
que produz luz a partir de uma placa de microship usada na iluminação
de computadores. "Esse sistema será o futuro da nossa
iluminação, pois tem um consumo muito menor de energia".
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