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Exposição mostra móveis e objetos de madeiras que receberam o
selo FSC, certificado que garante que a matéria-prima é oriunda
de uma floresta cujo manejo respeita a biodiversidade, a legislação
trabalhista, fiscal e as comunidades locais
DÉBORA
F. LERRER
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| Espreguiçadeira
Grillo, em louro itaúba. Por Lars Diederichsen. |
De 20 de setembro a 15 de outubro, o D&D Shopping, em São
Paulo, promove a segunda edição da exposição
"Design & Natureza". Com curadoria de Marili Brandão
e Christian Ullmann, da empresa Brasil Faz Design, a exposição
traz móveis e objetos de decoração inéditos,
desenvolvidos por grandes designers brasileiros a partir de madeiras
certificadas.
Atendendo
à crescente conscientização mundial em torno
da necessidade de manter o equilíbrio ecológico
e preservar a biodiversidade, o FSC (Forest Stewardship Council,
ou Conselho de Manejo Florestal) criou a certificação
florestal que ajuda a promover o bom manejo de florestas, para
garantir o uso sustentável de matas nativas e plantações
florestais, e combater os desmatamentos predatórios. Fundado
desde 1993, por representantes dos setores ambiental, industrial,
comercial, científico, de trabalhadores, comunidades indígenas
e instituição certificadoras, o FSC tem sede no
México, e possui iniciativas nacionais em 44 países.
Em meados de 99, o total de florestas certificadas com o selo
FSC já havia ultrapassado 16 milhões de hectares
em 30 países.
Para
uma floresta ser certificada, sua exploração deve
obedecer a uma série de critérios. Os proprietários
da empresa devem respeitar a legislação trabalhista,
cumprindo as regras da OIT (Organização Internacional
do Trabalho), garantir o direito das comunidades tradicionais
que vivem na região (índios, caboclos, quilombolas,
etc.) e a exploração da área deve preservar
a biodiversidade existente, garantindo que aquilo que se retira
da floresta terá condições de ser reposto.
A atividade de extração de madeira também
deve comprovadamente promover benefícios para a comunidade
e não pode haver conflito de terra envolvendo a área.
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| Vaso
Dois Irmãos, por Valdir Zanirato. |
Depois
de receber o certificado, que tem validade de cinco anos, as florestas
voltam a ser monitoradas pelo menos uma vez por ano. Mas a Imaflora,
organização não-governamental sem fins lucrativos
que faz certificação no Brasil, costuma também
fazer visitas surpresas nas florestas certificadas. Além
da certificação do manejo, existe a certificação
de cadeia de custódia, que é, na verdade, uma certificação
de origem. "Assim, você garante que aquele produto
que está nas marcenarias e fábricas de móveis
veio de uma floresta que foi certificada", explica André
de Freitas, engenheiro florestal da Imaflora. Essa garantia é
obtida através da nota fiscal e pela separação
física da madeira certificada dentro da empresa. "Ela
é totalmente separada durante o processo produtivo, o que
garante que ela não se misture".
Atuando
desde 1995, a Imaflora já certificou três florestas
e mais de 30 cadeias de custódias, que são as serrarias,
processadoras e marcenarias pelas quais passam as madeiras extraídas
das florestas certificadas. Segundo Freitas, ainda não
existe nenhum dado sobre o aumento do custo da madeira vinda de
uma floresta certificada. Depende do caso. "Se é uma
operação florestal totalmente ilegal e que consegue
produzir madeira a um custo muito baixo, como ela tem que adequar
o manejo dela para se certificar, o custo final vai ser muito
maior. Mas para uma empresa que já tem tudo redondinho,
esse custo não é tão relevante". Por
outro lado, em florestas de alta produção, como
o custo de certificação é fixo, não
é proporcional ao tamanho da operação, ele
tende a se diluir no final. Para incentivar os pequenos produtores,
cujo impacto do custo da certificação é maior,
Freitas conta que a Imaflora tem um fundo social de certificação,
"utilizado para certificar produções descapitalizadas".
Eles também procuram incentivar a certificação
de pequenos produtores, estimulando a certificação
em grupo, por meio de uma associação ou cooperativa.
Freitas ressalta também a importância da sociedade
no monitoramento da certificação. "É
muito comum o sindicato ter esse papel". Os próprios
membros dessa cadeia produtiva também assumem a função
de monitorar esse processo. "Certa vez um fornecedor deixou
de ter seu produto comprado por uma empresa que continuava a produzir.
Ele nos procurou e nós verificamos que eles não
estavam mais usando madeira certificada e nós os descredenciamos".
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