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Dan
Schneider
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PnW
- Qual é o papel da casa no atual momento da sociedade ocidental?
Maurício
- O Ocidente passa por uma profunda crise de valores, não sabe
para onde está seguindo. É uma civilização maluca que destrói
tudo, baseada em coisas que joga fora. Nunca existiu uma civilização
que produzisse tanto lixo. É uma civilização absolutamente contraditória:
cria a Internet mas gera um mundo miserável. Radicalizamos de
forma muito profunda as contradições possíveis. Isso faz com que
as pessoas repensem. Não é a toa que se vê movimentos com propostas
de qualidade de vida. A questão da casa complementa essa série
de iniciativas que estão aparecendo. A casa em que você mora não
é apenas um espaço trigonométrico, ela tem um sentido qualitativo
muito forte. Até em geografia hoje em dia as pessoas falam na
noção de espaço qualitativo, o espaço não é só quantitativo. A
dimensão real com a qual as pessoas atuam no espaço é a dimensão
qualitativa. Em certos lugares você passa do outro lado da calçada,
porque têm alguma coisa que você não gosta. Você opta por certos
espaços em função de vetores que não são nem racionais, nem geométricos,
nem matemáticos, nem retilíneos. São afetivos mesmo.
Dan
- Diversas culturas tornam a casa um lugar de espiritualidade.
A casa é onde, por exemplo, acendem as velas do Shabbat.
Maurício
- A casa tem uma dimensão feminina que é própria da cultura árabe
e também da islâmica. Na cultura africana é mais forte ainda.
A casa é por definição uma entidade material, mas também expressa
o espiritual. Você não pode separar os dois, como não pode separar
o concreto do imaginário. É um espaço sagrado, onde você se completa,
onde você se revigora fisicamente, interiormente.
PnW - O que pode fazer uma pessoa que quer mudar seu estilo de
vida, passar a ter uma vida mais simples, auto-sustentável? Porque
isso não é fácil, o mundo já vem pronto para você...
Maurício
- A simplicidade também não é simples. É difícil ser simples,
e mais difícil ainda ser útil, saber cozinhar, limpar a casa,
cuidar de bicho, cuidar de criança, andar a pé, andar de bicicleta,
assentar tijolo, fazer compostagem, lavar a louça, fazer um frango
legal para o fim de semana, lavar roupa, estender, passar. Você
paga uma empregada para fazer isso para você. Para mudar, só tem
um caminho: tem que partir para uma profunda revolução pessoal
no modo de vida. Não tem jeito. Não é que eu queira ser radical,
mesmo porque acho que não somos nada radicais. Nós levamos uma
vida muito simples, temos os nossos bichinhos, andamos sozinhos,
não precisamos de ninguém, a gente se vira. Você precisa fazer
escolhas, e partir para essa via que implica em você, por exemplo,
não ver televisão. Eu não vejo televisão há anos. Eu tenho direito
a não ser contaminado com propaganda.
Dan
- Temos vários sistemas excretores, mas nosso cérebro vai captando
todas as merdas que vão inoculando na gente durante toda a vida
e não tem como excretar. Qual é o preço disso, qual é o preço
de ter inoculado um desejo que provocou uma ansiedade? Qual é
o preço de um garoto matar uma pessoa por causa de um tênis Nike?
Porquê um outro tipo de tênis não serve para ele? Quem é responsável
por isso?
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Limpando a casa
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Ser simples é ser independente
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