RECONECTANDO > A Grande Teia
  O mundo quer a globalização. Será?

Talvez não, segundo as organizações que fizeram
de tudo para atrapalhar o encontro do FMI e do Banco Mundial em Washington. Direto do "front", a Planeta na web traz o relato de uma participante dos protestos

Vários grupos de afinidades autônomos, trabalhando democraticamente, mas não necessariamente em uníssono, chegaram nos principais cruzamentos ao redor do FMI e do Banco Mundial, tentando evitar que os delegados participassem do encontro anual da primavera. Alguns grupos bloquearam o local com correntes de braços enroladas por canos de PVC, e eram cercados por outros, que os apoiavam de braços dados. Alguns grupos de afinidade vagavam entre as ruas em um esforço de vigiar as passagens e estacionamentos que propiciavam desvios de acesso para os prédios do FMI e do Banco Mundial

Telefones celulares, rádios e mensageiros em bicicletas transmitiam informações, mas não havia diretrizes. Um homem passava pelos grupos dando notícias sobre em quais cruzamentos os ônibus foram bloqueados e como a polícia havia atuado. "Nós paramos outro ônibus de delegados", ele noticiava. "A polícia começou a usar spray de pimenta. Está tudo bem. Fiquem calmos. Nós temos muitos paramédicos e muito amor".

Os manifestantes, comprometidos com a desobediência civil não-violenta, procuravam dissolver os confrontos com a polícia. Durante uma destes momentos tensos, eu ouvi um manifestante se dirigir para a linha de frente com seu microfone e falar diretamente com a polícia: "Nós somos não-violentos", lembrando que estava somente exercendo seu direito constitucional de protestar. "Mas nós vamos resistir a vocês", ele repetia, "Vamos resistir a vocês com amor". Alguns dos policiais sorriram e todo mundo pareceu aliviado. O rapaz com o microfone sorriu também. "Nós amamos vocês", gritou ele para os policiais. Mais sorrisos em volta. Logo, todo mundo estava cantando "Nós amamos vocês" para a polícia. Era engraçado e descontraído e nos ajudava a recordar que não estávamos lá para combater a polícia. Estávamos lá para acabar com os encontros do FMI e do Banco Mundial, ou pelo menos para fazer crescer a consciência sobre para que servem estas instituições monetárias internacionais.

No dia seguinte havia menos manifestantes. Por outro lado, havia mais polícia e mais repórteres. Em determinado momento, quando somente cem de nós se sentavam na frente de uma van de delegados e os jornalistas se moviam com a gente, nosso número parecia ter dobrado. Aprendi que quando as autoridade antecipam um grande número de manifestantes, isso tem quase o mesmo efeito do que haver de fato tantos ativistas.

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Globalização e Direitos Humanos na visão da PBS, rede americana não- comercial de televisão. Em inglês.


Corporate Watch pesquisa, analisa e denuncia o mundo das corporações ao redor do planeta. Em inglês.


Site que congrega um coletivo de grupos de comunicação independentes e centenas de jornalistas que oferecem informações não-corporativas sobre mobilizações populares e protestos contra o FMI e o Banco Mundial.


Site informativo do movimento anarquista que traz relatos em diversas línguas, inclusive em português, sobre mobilizações, protestos, e grupos de diversas partes do mundo.


Informações contra a globalização organizadas por pessoas comprometidas com mudanças sociais espalhadas por todo o mundo.


 
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