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Em
seu livro A
Teia da Vida - Uma Nova Compreensão dos Sistemas Vivos,
o físico Fritjof Capra mostra, com base em farta documentação,
que a natureza é de fato inteligente - algo que os místicos de
séculos atrás já sabiam
Por
CARLOS CARDOSO AVELINE
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A
idéia central do último livro do físico Fritjof Capra mostra todo
o alcance da mudança revolucionária que está ocorrendo no pensamento
científico. Com habilidade, senso comum e farta documentação,
o livro A Teia da Vida - Uma Nova Compreensão dos Sistemas
Vivos leva o leitor a concluir do mesmo modo que os místicos
e santos de muitos séculos atrás:
"A mente universal está presente na natureza. Portanto, a natureza
é inteligente. Porém, a inteligência não é necessariamente um
processo verbal. A compreensão que fica presa às palavras é superficial.
O conhecimento pode ocorrer de modo direto, independente do acúmulo
de informações".
Com doutorado na Universidade de Viena, autor de livros famosos
como O Tao da Física e O Ponto de Mutação, Capra
é um dos principais pensadores da Nova Era, cujo surgimento ele
estuda e descreve a partir dos avanços da ciência e da redescoberta
das filosofias orientais. Ele vive em Berkeley, Califórnia, onde
dirige o Center for Ecoliteracy (Centro de Alfabetização
Ecológica).
Em The Web of Life (A Teia da Vida), Capra faz uma
crônica da evolução científica no século 20 e retoma as teses
de O Ponto de Mutação para discutir as teorias sistêmicas,
que procuram ver todas as coisas em conjunto e nunca isoladamente.
Para ele, não só a física, mas todas as áreas específicas da ciência
moderna desembocam hoje inevitavelmente na visão ecológica do
mundo, assim como os rios encontram o oceano. A visão ecológica
é idêntica à visão mística.
Capra abre seu livro com um poema de Ted Perry, inspirado na famosa
mensagem do chefe indígena Seattle ao presidente norte-americano,
considerada como o maior manifesto ecológico de todos os tempos:
Isto nós sabemos.
Todas as coisas estão ligadas
Como o sangue que une uma família...
Tudo o que afeta a terra
Afeta os filhos e filhas da terra.
O homem não teceu a teia da vida;
Ele é apenas um fio dela.
Tudo o que ele faz à teia
Ele faz a si mesmo.
A concepção sistêmica da vida não vê as coisas como elementos
isolados, mas como partes de padrões vibratórios integrados, conjuntos
cheio de significados, cujas características mais importantes
não estão em suas partes, mas na maneira como estas partes se
relacionam. Este enfoque surge, de certo modo, da física quântica.
"Os objetos sólidos da física clássica se dissolvem no nível subatômico
em padrões de probabilidades que têm forma de ondas", escreve
Capra. "Estes padrões, além disso, não representam probabilidades
de coisas, mas de interconexões. As partículas subatômicas não
significam nada como entidades isoladas, mas só podem ser compreendidas
como interconexões, ou correlações, entre vários processos...
em outras palavras, as partículas subatômicas não são coisas,
mas relações entre coisas, as quais, por sua vez, são relações
entre outras coisas, e assim por diante".
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