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  Alternativo - por enquanto

Feira de fitoterápicos, alimentação natural e terapias alternativas mostra que os "naturebas" estão prestes a perder a fama de diferentes e ser cooptados de vez pelo mercado.

DÉBORA F. LERRER e ALESSANDRA NAHRA

Foto: Carlos Frenerich

A terceira edição da Feira Internacional de Fitoterápicos, Produtos e Alimentação Natural e Terapias Alternativas - que ocorreu em São Paulo de 3 a 5 de outubro - foi uma expressão da expansão do interesse crescente da população por esses produtos. O setor de produtos sem agrotóxico, dos produtos industrializados com rótulos de "naturais" e, mesmo, o setor de terapias alternativas que hoje em dia conta até com a cobertura de planos de saúde demonstram que o mercado para esses serviços e produtos não só está maior, como mais consistente.

A primeira vista, chamou a atenção as inúmeras empresas que oferecem cafés orgânicos, produzidos sem agrotóxicos - alguns inclusive têm versões descafeinadas. Se o cafezinho não é completo sem o açúcar, o consumidor já pode optar pela versão orgânica também. Os pequenos produtores rurais estão à frente dessa tendência, oferecendo legumes e saladas produzidos sem o uso de agrotóxicos que são vendidos em grandes redes de supermercados. Talvez o mais importante nesse setor é saber que todos os produtos que hoje se apresentam com orgânicos estão sendo certificados como tais através do selo do Instituto Biodinâmico (IBD), que verifica se o sistema agrícola adotado produz alimentos saudáveis do ponto de vista ambiental, social e econômico. Afinal, o aumento da oferta também traz consigo os riscos da venda de gato por lebre.

Entre os produtos apresentados na Feira chamou a atenção a Dakota Flax Gold, uma semente de linhaça dourada rica em nutrientes que ajudam no bom funcionamento do organismo, no controle do diabetes, na diminuição do colesterol e em regimes de emagrecimento. Exposto junto com pãezinhos deliciosos, o produto é altamente tentador - não fosse, entretanto o preço: R$ 30 reais um pacote de 450 gr. Aliás, no quesito delícias naturais, a Feira foi pródiga. Em cada estande dedicado a exposição de produtos alimentícios o visitante tinha oportunidade de experimentar iguarias deliciosas ou então inovadoras - como por exemplo a proteína de soja instantânea, aposta de uma empresa baiana. Os derivados da soja sempre foram bem cotados como alternativa no combate à desnutrição no Brasil - apesar desse grande potencial nunca ter sido propriamente explorado ou incentivado. Talvez agora a soja instantânea tenha boa aceitação como opção barata e nutritiva para a mesa dos brasileiros, já que o produto vem embalado pela maquiagem do mercado e perde as principais características que o faziam "natural". Apesar da soja ser uma das melhores alternativas à proteína animal, o produto não pode ser utilizado por vegetarianos, já que é apresentado em versões carne, galinha e frutos do mar, com sabores, aromas e extratos vindos dos próprios animais.

A chamada "culinária natural" está definitivamente se rendendo ao mercado - ou sendo cooptada por ele. Os produtores percebem que há público para todas as coisas saudáveis, e tentam disfarçar a mercadoria com uma fachada mais vendável, mais comercial, menos alternativa. Por um lado, essa tendência torna mais fácil para o brasileiro achar produtos saudáveis nas prateleiras de grandes redes de supermercado. Por outro, não garante as propriedades estritamente naturais procuradas pelos mais dedicados (ou radicais). Tome-se por exemplo a linha de produtos vegetarianos da Superbom, com hamburgueres, almôndegas, empanados, kibes e salsichas estritamente vegetais (a não ser pela clara de ovo em pó, adicionada a alguns dos produtos). Aromatizado com ervas e condimentos, não contém nenhum corante ou conservante artificial. Até aí seria perfeito, mas os fabricantes resolveram acrescentam a gordura vegetal hidrogenada, rechaçada por naturalistas por ser altamente precessada e química.

No setor de terapias, a fotografia kirlian era um dos principais atrativos. A foto da aura permite que se visualize os campos de energia, sendo possível traçar um diagnóstico sobre a condição emocional e física da pessoa. Depois de ter a foto do dedo indicador tirada, dentro de uma espécie de saco que veda a luz, a pessoa responde a um questionário. Receberá os resultados pelo correio.

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