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  O Despertar da Deusa

A Planeta na Web entrevistou May East em uma de suas curtas passagens por São Paulo. Ela falou da Fundação Findhorn e explicou porque o resgate do feminino é tão importante para o futuro do planeta

Planeta na web - A aldeia recebe visitantes e novos moradores?
May - Findhorn recebe desde visitas de 3 horas até pessoas que querem morar lá. A fase de se tornar morador da fundação Findhorn começa com um programa de uma semana. Depois você faz uma experiência maior que se chama Living in Community, de 3 meses, e aí se sentir que realmente está interessado pode fazer um programa de um ano que se chama Foundation Year Program. Então você se torna staff. Isso se quiser ir pelo caminho formal da Fundação Findhorn. Se quer morar na comunidade e tem recursos próprios, pode comprar um terreno próximo e construir uma casa, e trabalhar em alguma das 40 organizações. E existe todo um sistema político também, estruturas sociais, políticas e econômicas bem complexas. Certas pessoas vão a Findhorn para estudar isso, pra ver como é que se desdobrou e como é que funciona de forma saudável e continua crescendo.

Planeta na web - Findhorn é como se fosse um modelo de comunidade viável?

May - Findhorn é um modelo de vida auto-sustentável. Há alguns anos fomos reconhecidos pelas Nações Unidas, e fazemos parte dessa aldeia global das eco-villages que trabalham com a auto-sustentação em termos econômicos, sociais e espirituais. Findhorn é um laboratório de novas relações humanas. A gente não segue nenhum outro modelo. Então eu diria que sim, é um modelo -- mas tem muito ainda o que se fazer, não é um modelo pronto. Findhorn é um constante convite à revisão, tanto do teu caminho pessoal quanto do teu caminho coletivo. Se você quer se acomodar na vida, não vá a Findhorn...

Planeta na web - Como é a organização política?

May - Trabalhamos com um sistema político inclusivo, de democracia profunda. A gente tenta fazer nosso processo de decisão consensual, no qual todos aceitem o que é proposto. Se não é aceito por todos, vamos dizer se 70% das pessoas querem ir pra uma direção e 30% não, nós trabalhamos com o conceito de minoria leal. Perguntamos àqueles que não estão apoiando se aceitam ser leais, no sentido de que não vão minar a decisão da maioria. O grande problema da democracia ortodoxa tradicional é que 51 % vão para um lado e os outros 49 % ficam torcendo pra que não de certo. Nós damos todo o tempo possível para que as pessoas que não aceitam possam articular no corpo coletivo o porque elas não aceitam aquela decisão. E se por acaso 30% das pessoas realmente não conseguem aceitar esse convite de ser minoria leal, não se vai para a direção que o maior número de pessoas está tendendo. O experimento de Findhorn é muito aquariano nesse sentido, porque é essa dança entre o individual e o coletivo o tempo todo. Você trabalha em grupo quase que o tempo todo. Às vezes demora mais, mas às vezes existe o que a gente chama de "cola". Quando a visão está muito clara as coisas se movem muito mais rapidamente, porque a vontade do grupo é maior que a vontade individual. A física quântica diz que A + B não é igual a C, A + B é mais do que C.

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Comunidade, ecovillage e fundação Findhorn.



EVE online, o bê-a-bá do eco-feminismo. Em inglês.



Eco-feminismo em profundidade. Traz um capítulo do livro "A Face Feminina de Deus: Desenvolvendo o Sagrado na Mulher" (Sherry Ruth Anderson e Patricia Hopkins), leitura eco-feminista essencial. Em inglês.



Johannes Dingler está defendendo uma tese de doutorado sobre ecologia radical, eco-feminismo e pós-modernismo. Vale a pena conferir sua bibliografia.



 
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