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A Planeta na Web entrevistou May
East em uma de suas curtas passagens por São Paulo. Ela
falou da Fundação Findhorn e explicou porque o resgate do
feminino é tão importante para o futuro do planeta
Planeta na web - Como
foi que se deu a mudança da
sua vida, de um estilo urbana,
de noite, típico dos anos 80,
para uma vida mais natural e
espiritual?
May - Foi a força da
natureza do Brasil que me tirou
dessa vida da noite, da adolescência,
para uma busca mais essencial,
que foi voltar às minhas origens.
Eu sou mestiça, se contava a
história na minha família que
minha tataravó foi caçada à
laço. Isso foi um marco muito
grande para mim. Então fui buscar
as minhas raízes, senti que
precisava voltar. Foi através
da música e da cultura e da
sabedoria dos povos tradicionais
que eu me reconectei com a terra,
mas claro que o primeiro chamado
foi a música. Eu saí do rock
para uma coisa que eu chamava
de iêiêiê tribal. Na minha geração
eu era a única que estava fazendo
isso. Mais tarde, a música que
eu estava fazendo foi chamada
de world music, mas naquela
época a minha geração - Paralamas
do Sucesso, Blitz, Léo Jaime
- achaou que eu tinha ficado
maluca. As gravadoras gostavam
da minha música, mas quando
chegava nas rádios eles não
sabiam, porque não era MPB e
também não era rock. Eu era
como um peixe fora d'água. Até
que meus discos foram comprados
primeiro pela Holanda, depois
pelo Japão, depois Inglaterra,
e quando eu fui embora do Brasil
eu encontrei a minha turma.
Eram artistas que como eu
estavam dedicando sua musica,
sua arte, a uma causa maior
do que apenas fazer hit todo
ano e vender. Eu fazia uma
musica que se chamava música
brasileira de vontade e procura.
Fui para o sertão nordestino,
pesquisar a música dos sertanejos,
mas eu usava sintetizador, então
eu trazia tudo isso para a música
eletrônica, era uma música muito
estranha pros ouvidos da época.
| Foto: FERNANDO CAVALCANTE |
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May e Craig em Findhorn
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Planeta na web - Então
você foi para Londres e...
May - E comecei a participar
do Movimento dos Artistas pela
Natureza, e também de outras
redes. Eu descobri várias redes
de artistas, outro se chamava
Global Forum Artists, que eu
faço parte até hoje, que tinha
artistas de várias mídias, não
só músicos. E também tinha um
outro chamado Earth Love Fund,
que até hoje está aí, são artistas
que despertaram pra essa questão
de que os recursos estão acabando,
as criaturas estão em extinção,
nós precisamos fazer algo, e
a melhor forma da nossa geração
fazer algo não é subindo em
palanque político, é através
da música e da arte.
Planeta na web - O que
nos leva ao
eco-feminismo...
May - Quando eu comecei
com essa minha música, não sabia
que existia eco-feminismo. Mas
estava em frente à Angra 1 em
Angra dos Reis, em praça pública,
pintada de índio, cantando esse
iêiêiê tribal em protesto a
instalação da usina. Então vamos
dizer que eu já tinha o sangue
eco-feminista pulsando, ao trabalhar
e trazer para palco, para a
consciência dos jovens, a questão
das florestas, dos rios, da
sabedoria, e também mais pra
frente a questão da energia
atômica. Eu descobri também
que pra abrir um lugar nessa
sociedade eu tive que pôr o
pé na porta, o meu modelo era
muito mais o masculino. Para
continuar fazendo a música que
eu queria, e não a música que
era esperada, eu tive que colocar
muito mais ênfase no meu aspecto
yang, na parte masculina Depois
de uns anos disso eu tive um
chamado interno pra ir buscar
meu feminino. Então comecei
a trabalhar com um movimento
de espiritualidade feminina,
que é a busca da essência da
mulher -- e não é o oposto do
que é ser homem, que até então
era o que era dito. Comecei
a estudar muito e rever a história
das mulheres, do paleolítico,
neolítico, idade do bronze --
comecei a ver como as mulheres
foram se tornando muito mais
que cúmplices de um sistema
de patriarcado do que vítimas,
eu nunca comprei essa história
de ser vítima do patriarcado.
E então percebi que a questão
não era tomar o poder, mas mudar
a estrutura do poder. Trabalhei
dentro da vertente do feminismo
político, de lutar pelos direitos
da mulher, depois eu fui buscar
a parte do que é ser mulher,
e a minha inspiração foram as
índias, as mulheres do meu país.
E depois a síntese, que é o
que eu faço atualmente, o eco-feminismo.
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