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A Planeta na Web entrevistou May
East em uma de suas curtas passagens por São Paulo. Ela
falou da Fundação Findhorn e explicou porque o resgate do
feminino é tão importante para o futuro do planeta
ALESSANDRA NAHRA
| Foto: FERNANDO CAVALCANTE |
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Planeta na web - Há quanto
tempo você mora em Findhorn?
May - Há oito anos. Em
88, um dos meus discos foi comprado
por uma gravadora inglesa, e
eu fui para a Inglaterra passar
seis meses e fazer uma série
de concertos e não voltei mais.
Meu disco (Tabaporã) estava
ligado à questão da Amazônia,
e 1988 foi quando as primeiras
fotos de satélite mostraram
a Amazônia em chamas. Houve
um grande despertar da humanidade
para as questões das florestas
tropicais. Isso me abriu
um campo totalmente novo de
trabalho além da música. Então,
desde 88 estou entre a Grã-Bretanha
e o Brasil, mas desde 92 morando
em Findhorn. Eu conheci Findhorn
em 89, quando também conheci
Craig, meu marido. Em 92 nós
casamos e eu mudei pra lá.
Planeta na web - Os
jardins
de Findhorn são famosos, especialmente pela colaboração
dos elementais...
May - Os jardins de Findhorn,
que fizeram a comunidade ser
conhecida no mundo inteiro no
final dos 60, ainda estão lá.
São 36 anos trabalhando em co-criação
com a natureza, que é o que
você chama por trabalho com
os elementais. Então os jardins
são lindos. Só que, de uma comunidade
de três pessoas, hoje em dia
são 450. São mais de 40 nações
representadas, há uma grande
diversidade cultural e espiritual.
Temos de tudo: budistas, cristãos,
sufis, pessoas que trabalham
com linhas contemporâneas da
psicologia, jungianos. Não existe
apenas uma forma de se fazer
as coisas. A co-criação com
a natureza ainda está lá, mas
ampliada. Hoje em dia Findhorn
é uma aldeia ecológica, nós
produzimos 27% da nossa energia
elétrica, trabalhando com vento.
Nosso esgoto é tratado com um
sistema chamado living machine.
Essa usina de tratamento de
esgoto é como um santuário,
totalmente dedicado às plantas
e flores que transformam o esgoto
em água pura. Nós cultivamos
60% da comida que comemos e
aos poucos estamos substituindo
os trailers, que foi como Findhorn
começou, por casas ecológicas.
Planeta na web - Como
é a organização social de Findhorn?
May - Nós temos mais de 40 pequenos negócios que emergiram
ao longo desses 30 anos. Desde uma fábrica de painéis solares
até gráfica, editora, gravadora, lojas de mantimento, florais
de Findhorn etc. Hoje em dia existe uma complexidade econômica
que faz com que Findhorn passe do status de comunidade para
o de aldeia. Uma das maiores fontes de renda é a educação.
Somos um centro
de educação desde os anos 70.
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