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... O mercado, então, se
encarrega de preencher nossas necessidades de praticidade e rapidez.
Quem tem tempo de cozinhar? Ninguém. E dê-lhe comida
pouco saudável, congelada e enrolada em mil embalagens
não recicláveis. Tempo de lavar a louça?
Nem pensar. Para isso existem embalagens que se usa e joga fora.
E lavar fraldas? Insanidade pura. Qual mãe hoje em dia
tem tempo de lavar fralda?
E então recorremos à praticidade
embalada para consumo, oferecida pelo mercado e alardeada pela
publicidade. Por isso, quem tenta levar uma vida mais ecológica
e/ou auto-sustentável, hoje em dia, está remando
contra a corrente. Essa é a mais nova rebeldia. É
um estilo de vida que não se acha no supermercado. Exige
uma mudança muito profunda na maneira como vivemos, e também
mexe na nossa idéia do que é a vida.
Viver dessa maneira exige uma reeducação.
Precisamos nos desprogramar do hábito do consumo
desenfreado. É preciso muita vontade e compromisso. Porque
em certas horas somos pegos na rat race, e quem quer fazer comida
quando é muito mais fácil pedir pizza e jogar fora
o prato de plástico?
Porquê tentar levar uma vida ecológica
e o mais auto-sustentável possível? Porque na medida
em que nossa consciência vai sendo despertada, percebemos
que somos responsáveis pela situação atual
e futura do planeta, e que nossas ações diárias
têm um impacto profundo, ainda que não perceptível
no dia-a-dia. Porque percebemos que não estamos sozinhos
no planeta, e começamos a viver interativamente, em cooperação
com os ambientes e seus habitantes. É uma questão
de responsabilidade e solidariedade.
E também porque, no meu caso, não
quero ser escrava da publicidade e de multinacionais que fazem
um dinheirão às custas do meio-ambiente e da passividade
da população. E é por isso que eu cozinho
em casa, levo minha mochila quando vou ao supermercado, não
uso absorventes descartáveis (já viu dinheiro mais
posto no lixo do que o que as mulheres gastam, todo mês,
com absorventes e tampões?). E percebo que, mudadas as
minhas prioridades, tenho mais tempo para as coisas que realmente
contam. Claro que eu também contemplo a rat race, às
vezes até escorrego e me pego tentando ultrapassar o rato
que está na dianteira. Mas a consciência do absurdo
de tudo isso, e a responsabilidade que sinto por todas as coisas
viventes no planeta, rapidamente me trazem de volta à vida
real.
Por
ALESSANDRA NAHRA
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