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  Pelo Uso Sustentável da Água - continuação

Diante da flagrante escassez de água doce no planeta, o secretário estadual de Recursos Hídricos de São Paulo, Antonio Carlos M. Thame, defende a cobrança pelo seu uso e uma taxação mais pesada para aqueles que a poluem. Associadas à educação ambiental, tais medidas, segundo ele, devem garantir o uso sustentável da água.

Thame - Tenho certeza de que, para conseguir reverter esse processo de degradação, eu preciso de quatro fatores: uma legislação atualizada e rígida; uma fiscalização eficiente; vultosos investimentos para reverter aquilo que já foi degradado; e consciência ambiental, que eu só consigo com educação ambiental. Esse quarto elemento, ao meu ver, é o mais importante, porque ele é um indutor dos outros três. Se tenho consciência ambiental, eu consigo que os deputados, os vereadores, os senadores votem leis ambientalmente corretas e eficientes. Se tenho uma população com consciência ambiental, ela não admite fiscais corruptos ou ineptos. Por outro lado, se tenho uma população consciente, consigo que ela faça pressão, que vai gerar a decisão política de colocar verbas dos orçamentos dos municípios, dos Estados, do governo federal para essas obras de reversão do processo de degradação. Portanto, conscientização é um elemento básico. O que acontece na prática? As campanhas do Brasil são muitas, mas de forma descontinuada, então elas não causam o impacto que poderiam...

PLANETA - Esse dinheiro do imposto vai ser usado também para isso?

Thame - Prevê-se que uma parte desses recursos seja utilizada também para a conscientização e a educação ambiental.

PLANETA - Quando essa lei vai ser, finalmente, aprovada?

Thame - Isso depende de uma pressão da sociedade...

PLANETA - Mas ela está na Assembléia para ser votada?

Thame - Sim, mas não está em regime de urgência; portanto, ela só vai entrar em pauta na hora em que houver uma pressão da sociedade. E mais ainda: vai ser aprovada quando começar a cobrança pelo governo federal, que é muito maior. Tenho certeza de que aí os deputados estaduais vão correr atrás do prejuízo para aprovar a lei.

PLANETA - Já se falou muito sobre a despoluição do Tietê, o rio mais importante de São Paulo. Até agora, porém, muito pouco se fez nesse sentido. O que está faltando para a gente realmente levar isso a cabo?

Thame - Na verdade, nesses cinco anos do governo Covas, muito foi feito. É que ainda não aparece. O início é muito difícil e havia um atraso de décadas aqui. O governo Covas investiu 900 milhões de dólares na despoluição do Tietê, que foi um empréstimo do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), e mais 180 milhões de reais, emprestados pela Caixa Econômica Federal. E investiu já 300 milhões de dólares no Projeto Guarapiranga, também na região metropolitana, usados em infra-estrutura para tratamento de esgoto, para se diminuir o esgoto que é jogado no rio. Mas isso ainda não acabou: nesta segunda etapa do projeto de despoluição do Tietê pede-se mais 400 milhões de dólares, sendo 200 milhões do BID e mais 200 milhões da própria Sabesp. Isso foi aprovado de imediato pelo banco, que elogiou a primeira etapa; já foi aprovado no Ministério da Fazenda e no Banco Central. Falta agora, nos próximos dias, o Banco Central encaminhar ao Senado para a última da tríplice aprovação, que é necessária internamente.

PLANETA - Existe uma previsão de quanto tempo o Senado vai levar para aprovar isso?

Thame -Se receber nas próximas semanas, nós imaginamos que ainda neste semestre conseguiremos a aprovação.

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