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Ao
chegar à Casa da Prece todos os sábados às 20 horas, Chico
Xavier desce amparado da BMW de seu filho adotivo, o dentista
Eurípedes Higino, e é aplaudido por mais de mil pessoas.
Emocionadas, elas chegam a Uberaba, Minas Gerais, em caravanas
de todos os cantos do País e viajam até 20 horas seguidas
com a esperança de ao menos beijar a mão do médium ou ouvir
dele alguma palavra de alento. O tumulto é inevitável. Para
entrar na pequena Casa da Prece, as pessoas se acotovelam
e chegam até a trocar tapas na fila, na tentativa de alcançar
o médium. Aos 88 anos, com dificuldades para andar e falar,
o mais conhecido e respeitado médium espírita brasileiro
voltou à psicografar no final de novembro, depois de quatro
anos afastado por problemas de saúde. Só deixa a Casa da
Prece por volta das três da manhã, quando o último da fila
lhe beija a mão.
A perda de um filho jovem é o principal motivo que faz com
que milhares de mães do País procurem toda semana o médium.
"Meu filho morreu com 20 anos e eu pensei que fosse morrer
junto. Mas ele me mandou uma mensagem através de Chico Xavier
que me trouxe alívio, apoio e conforto", conta a comerciária
Beliza Silva Santos, 62 anos, que estava na fila para beijar
a mão do médium no sábado 28 de março. Debilitado, já não
faz mais atendimentos e nem recebe mensagens, a não ser
as do poeta Cornélio Pires. Repetindo o gesto de pôr a mão
esquerda sobre a testa, a caneta já não corre o papel com
a mesma velocidade. Chico leva até 45 minutos para psicografar
breves mensagens. "A vida pede homenagem, paz e amor", diz
um trecho da mensagem psicografada no sábado 28 de março
de 1998.
O médium é o escritor brasileiro que mais publica e vende
livros. São romances, poesias, ensaios e obras doutrinárias.
O dinheiro dos direitos autorais é usado para ajudar cerca
de duas mil instituições de caridade no País. Levando a
mesma vida humilde, Chico vive da aposentadoria de escriturário
do Ministério da Agricultura.
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