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  O Vale do Amanhecer - continuação

Reencarnações sucessivas

 
Itamir Damião, mestre recepcionista

Exemplo do que o sincretismo religioso brasileiro é capaz, Damião explica que o Vale do Amanhecer não é uma seita e sim uma "ciência espiritualista que começa onde a ciência dos homens termina". Se a definição parece obscura, ele procura explicar melhor. "Somos uma corrente indiana do espaço". Ah, então é resultado de algum contato extra-terrestre? Também não. "A Tia Neiva recebeu muita orientação de grandes sábios indianos", explica Damião. Ou seja, as idéias que movem os seguidores da Tia Neiva simplesmente vieram pelo espaço, da Índia até o Planalto Central do Brasil. Mas o Vale do Amanhecer não é tributário apenas de sábios indianos. Entre os iniciadores da Tia Neiva, eles dizem que se encontra um monge tibetano chamado Umahã, que ela visitava diariamente entre 1959 e 1964 e que, segundo consta, só teria morrido em 1981. Todos esses sábios orientais, junto ao Pai Seta Branca, teriam, na verdade, ajudado Tia Neiva a adequar a doutrina de Jesus para os tempos atuais. Seria uma "evolução do cristianismo de sua fase de martírio para sua fase científica". Parece confuso, não é? Mas eles entendem.

Os médiuns do Vale do Amanhecer se consideram reencarnação de um povo de seres extraterrestres, "os Equitunas". Eles teriam desembarcado na Terra há 32 mil anos, e depois retornado em sucessivas reencarnações em civilizações como a dos Hititas, dos Jônios, Dórios, Egípcios, Gregos, Romanos, Maias, etc. Damião conta que em todas essas vidas os membros desse povo eram dirigidos por um mentor espiritual conhecido como Pai Seta Branca, cuja última encarnação na Terra foi entre o povo Tupinambá, na América do Sul. Para eles, durante a Idade Média, uma das mais célebres reencarnações desse guia espiritual teria sido na Itália, mais precisamente em Assis, sendo nada mais, nada menos do que São Francisco. É em sua homenagem que os homens do Vale usam calças marrom, mesma cor da batina dos frades franciscanos.

Segundo a cosmologia dos seguidores da Doutrina do Amanhecer, Tia Neiva comandava a missão espiritual desse povo na Terra seguindo as ordens do comandante-geral, Pai Seta Branca. A partir de Tia Neiva, construiu-se uma hierarquia bastante rígida. Ela morreu em 1985, e em seu lugar no topo da pirâmide ficaram quatro "Trinos". Entre eles, seu companheiro, Mário Sassi, morto em 1995, e um de seus quatro filhos, Gilberto Chavez Zelaya. Eles são o topo da pirâmide hierárquica do Vale e têm como missão fazer cumprir as leis do Amanhecer. "Os trinos ficaram respondendo por Tia Neiva para organizar tudo. Só eles é que têm autoridade e poder de modificar qualquer coisa aqui", explica Waldemar Ferreira de Souza, adjunto Japuacy, chefe dos mestres recepcionistas - grupo da qual faz parte nosso guia no Vale, Itamir Damião.

Souza faz parte da casta dos arcanos, médiuns que foram preparados por Tia Neiva e que têm por missão conduzir a doutrina junto ao o povo. O povo, do qual faz parte Damião, são os "Rama 2000". No caso de Souza, ele é um arcano que tem uma atribuição específica, pois ele chefia um grupo que zela pela recepção de visitantes no Vale do Amanhecer. Mas nem todos os 39 arcanos preparados por Tia Neiva possuem uma função concreta. Segundo o adjunto Japuacy, o primeiro compromisso deles "é com a espiritualidade, com Jesus, de exercer a mediunidade em benefício daqueles que realmente buscam socorro". Um arcano se caracteriza por receber a "projeção" de um espírito de alta evolução, de alto poder. Depois da morte de Tia Neiva, outros arcanos foram consagrados pelos trinos, devendo existir cerca de 200 arcanos em todo o Brasil.

Enquanto os médiuns homens do Vale são chamados de mestres, as mulheres são as "ninfas". Elas são divididas em 22 falanges, cada qual com uma determinada missão e um determinado tipo de roupa. Existem, por exemplo, as ninfas "samaritanas", que têm como missão consagrar o vinho - na realidade suco de uva, porque médiuns não tomam álcool. Já as "muruaicis" têm como função abrir os portões para os rituais.

O ponto focal da comunidade do Vale é o Templo do Amanhecer. Construído de acordo com as instruções que Tia Neiva "recebia do espaço", esse templo foi construído em forma de mutirão, com materiais doados pelos médiuns, e tem o formato de uma elipse, com um total de 2.400 m2 de área coberta. Dentro dele tem-se a impressão de se estar dentro de um labirinto colorido com vários espaços distintos, cada qual com sua função vinculada aos trabalhos espirituais desenvolvidos diariamente. Bem no fundo do templo, em meio a reformas, há uma enorme estátua de Pai Seta Branca, mas Damião se antecipa. "A gente não adora a estátua de um cacique indígena, ela representa para nós um referencial de uma das encarnações deste espírito que é o mentor espiritual da doutrina do Vale do Amanhecer".

A cerca de 500 metros de distância do templo, há um local chamado de Solar dos Médiuns, ou Estrela Candente. Nele existem cachoeiras artificiais, um espelho d'água em forma de uma estrela, quadrantes que circulam o lago de Mãe Yemanjá e a Pirâmide. O local é considerado o conjunto iniciático do Vale do Amanhecer. Neste "complexo espiritual" acontecem rituais diários que têm por objetivo prestar assistência a outras pessoas, estejam elas vivas ou não. Nesses locais eles trabalham com diversas entidades comuns em rituais espíritas, de umbanda e candomblé. Mas Damião faz questão de fazer uma ressalva. "Aqui no Vale do Amanhecer não tem adivinhação, não se receita remédio, não se faz milagres. Para trabalhar aqui a entidade tem que obedecer às nossas leis, do contrário não trabalha". Segundo ele, o Dr. Fritz, famoso espírito que faz cirurgias pelo espaço, trabalha lá. "É um grande cirurgião, mas aqui no Vale ele não faz cirurgia".







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Informações sobre a Tia Neiva e o Vale do Amanhecer - com um mapa indicando como chegar lá.

 
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