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A
Cidade
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| Vista
do templo aberto e da cidade do Vale do Amanhecer |
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A
primeira vista, parece uma pequena cidade que cresceu de maneira
desordenada, como é comum na região do Distrito
Federal. Essa impressão se desfaz rapidamente diante das
mulheres de longos vestidos coloridos, bordados e esvoaçantes
que caminham tranquilamente pela rua. Os homens completam o quadro,
vestidos uniformemente de calça marrom e camisa preta,
com uma espécie de colete que geralmente traz estampada
uma grande cruz nas costas. Periodicamente, as encruzilhadas da
cidade tornam-se palco de rituais. Grupos de homens e mulheres
devidamente paramentados se reúnem para, segundo eles,
manipular energias para a cura e o equilíbrio das pessoas.
Essa é a imagem inicial do Vale do Amanhecer, local onde
Tia Neiva - uma caminhoneira, viúva e mãe de quatro
filhos - implantou seu projeto espiritual e onde vivem milhares
de pessoas que se sentem responsáveis pela limpeza espiritual
do planeta, preparando-o para o advento do novo milênio.
A
clarividente morreu há 15 anos, mas seus seguidores continuam
a crescer. Encravada na zona rural de Planaltina, cidade-satélite
de Brasília, o Vale do Amanhecer ocupa uma área
do Governo do Distrito Federal. Hoje vivem cerca de 20.000 pessoas
na cidade que possui escolas, lojas, barzinhos e até dois
enormes templos de igrejas evangélicas - que, apesar do
enxofre que seus seguidores jogam nas ruas, não parece
ameaçar a primazia da doutrina da Tia Neiva entre os moradores
da cidade.
De
acordo com Itamir Damião, 57, "mestre recepcionista"
escalado para receber a reportagem da Planeta na Web, cerca de
95% dos moradores da cidade são adeptos da Doutrina do
Amanhecer. Segundo ele, existem aproximadamente 300 mil médiuns
da seita espalhados em todos os Estados do País, no Japão,
Portugal, Bolívia, Montevideo, em um total de 360 templos.
Sonia
Klug, 36 anos, casou com um alemão e vive com ele e os
dois filhos em uma cidade perto de Frankfurt. Sua família
sempre seguiu a doutrina e ela resolveu abraçá-la,
mesmo a distância, há cinco anos. "É
uma maneira de encontrar com Deus, de cumprir a minha missão
aqui, de servir os irmãos que estão precisando",
diz ela. Uma vez por ano ela vem ao País, visita a família
e participa dos rituais no Vale. Quando está na Alemanha,
faz os trabalhos em casa. "Estou sempre rezando, fazendo
minhas orações e trazendo meu pensamento até
aqui. Lá eu trabalho mentalmente".
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