|
A descoberta aos 16
Tinha sete anos quando vi um espírito.
Na escola, a professora tentava controlar
a turma e um homem dava gargalhadas
ao seu lado. Aflito, perguntava aos
colegas: "Vocês não estão vendo?" Ninguém
via. Aconteceu outras vezes, mas com
o tempo deixei de vê-los. Aos 16, tive
um desmaio e meu braço esquerdo enrijeceu.
Os médicos suspeitaram de epilepsia,
mas os exames acusaram um foco epilético
que não justificava os sintomas. Por
seis meses, desmaiei, tive convulsões
e os remédios não surtiram efeito. Perdi
o ano, parei de estudar. Mal saía de
casa. Angustiado, fiquei agressivo.
Os médicos indicaram uma clínica psiquiátrica.
Meus pais suspeitaram de mediunidade.
Se não fossem espíritas, estaria internado
como um doente mental. Passei a ir às
reuniões recomendadas para mediunidade
muito ostensiva. Com prece, leitura
e meditação os desmaios acabaram em
três meses. Hoje aplico passes. Sou
médium de cura e de fala. Em transe,
minhas mãos se movimentam involuntariamente
sobre as pessoas. Nessa hora, meu cérebro
fica em ponto morto. Sinto cheiros,
a cabeça começa a formigar e vai adormecendo.
Meu corpo parece se moldar ao de alguém.
A voz e a fisionomia mudam. No início,
não gostava. Não queria ser diferente.
Sinto mágoa de não ter vivido o auge
da minha adolescência. Mas acredito
que tenho um compromisso. Ainda não
voltei a estudar, mas planejo fazer
supletivo. Trabalho com meu pai das
6h às 14h na padaria dele e depois vou
para o centro espírita. A mediunidade
é uma doação que me trouxe equilíbrio."
Conrado G. dos Santos, 19 anos, trabalha
na padaria do pai
|