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  Estranhos poderes - continuação

Eles dizem ouvir vozes, assumir personalidades, receber mensagens de mortos. As habilidades dos médiuns, por muito tempo explicadas só pela fé, atraem o olhar da ciência e ganham novas interpretações

Muitos neurologistas e psiquiatras creditam a distúrbios psiquiátricos esses comportamentos inesperados do cérebro. "Quando se trata de uma doença mental a pessoa perde o juízo crítico", rebate o psiquiatra Sérgio Felipe de Oliveira. Para ele e outros estudiosos de linha dualista, tanto a mediunidade quanto os transtornos mentais poderiam partir de um mesmo mecanismo cerebral. Ou seja, uma psicose poderia resultar na abertura de uma porta para uma comunicação espiritual, ou o contrário.

O profundo interesse da humanidade pelos estados incomuns da consciência talvez reflita um desejo imensurável de que a morte não seja o fim e de reencontrar pessoas queridas que se foram. A verdade é que os médiuns são porta-vozes de um mundo que as pessoas querem que exista. O cientista e escritor americano Carl Sagan, professor de Astronomia na Cornell University, morto em 1996, escreveu em seu livro O mundo assombrado pelos demônios que a mediunidade é uma espécie de pseudociência. Existiria para atender necessidades emocionais poderosas que a ciência frequentemente deixa de satisfazer: "É natural que as pessoas tenham crenças. Se estamos desesperados, logo abandonamos o que pode ser visto com a carga do ceticismo. Nutre as fantasias sobre poderes pessoais que não temos e desejamos ter." Embora as suspeitas mútuas ainda devam perdurar entre os que consideram a ciência cega e os que duvidam do mundo dos espíritos, o ideal para qualquer descoberta é que nem a ciência nem a fé sejam preconceituosas e possam realizar o que Chico Xavier descreveu: "A religião abre uma picada. Depois a ciência passa por cima e constrói uma estrada." Enquanto perdura a busca da palavra final, os poderes dos médiuns, comprovados ou não, são ainda o único alívio para muitas aflições e uma pergunta desafiadora sobre os verdadeiros limites do homem.

Colaboraram: Osmar Freitas Jr., de Nova York, Celina Côrtes, do Rio, Rosely Forganes, de Paris, Cintia Medeiros, de Salvador, Eduardo Holanda, de Brasília, Dolores Mendes e Jorge Prata, de Uberaba

Publicado por ISTOÉ em 15 de abril de 1998.


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