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Eles
dizem ouvir vozes, assumir personalidades,
receber mensagens de mortos. As habilidades
dos médiuns, por muito tempo explicadas
só pela fé, atraem o olhar da ciência
e ganham novas interpretações
É verdade que os cientistas que têm
fé não provaram a existência de um
mundo espiritual, mas os pesquisadores
céticos também não demonstraram a
sua inexistência. Até agora há um
empate. Embora não acredite em espíritos,
o psiquiatra paulista Raymond Rosemberg,
especialista em autismo, acompanhou
durante cinco anos sessões de operações
e de curas espirituais de um grupo
de médicos espíritas em São Paulo.
"Vi curarem pessoas. Há um fenômeno
que ocorre e que é difícil explicar.
Tento ser um crente descrente. Não
posso funcionar só com fé", diz o
médico.
Os médiuns não têm um perfil específico.
Em geral são pessoas mais sensíveis
que as outras e com flutuações de
humor, mas isso não é regra. Podem
descobrir que são médiuns em qualquer
idade. A obstetra Marlene Nobre, presidente
da Associação Médico Espírita de São
Paulo, é médium há 38 anos. Aos 23,
foi surpreendida por vozes e sensações
de mal-estar quando atendia pacientes.
"Sentia falta de ar e perto de alguns
pacientes pensava coisas horríveis
que não partiam de mim. Tinha vontade
de dizer frases como ‘quero que você
morra’ ou ‘que bom, você está doente’
para certos clientes", conta. "Depois
que comecei a desenvolver a mediunidade,
as preces e autocontrole me ajudaram
e isso deixou de acontecer. A gente
aprende a se defender dos espíritos
atrasados", diz ela. Marlene é médium
de fala (psicofonia) e uma das maiores
estudiosas do fenômeno no País.
Assim como a médica, outras pessoas
têm suas vidas invadidas por situações
estranhas e aflitivas. Perdem o controle
emocional quando começam a ouvir vozes
e barulhos, a ver imagens e a ter
convulsões e desmaios. "Às vezes chegam
a nós pessoas que não compreendem
o que está acontecendo com elas",
diz a advogada Júlia Nezu de Oliveira,
vice-presidente da União das Sociedades
Espíritas do Estado de São Paulo.
Educar a mediunidade, para os espíritas,
significa limitá-la a certos momentos
e voltá-la para o bem. Ela tem várias
formas de manifestação: as vozes,
a fala ou psicofonia, em que o médium
fala como se fosse outra pessoa, a
vidência, que pode se voltar para
o futuro ou para visões inexplicáveis
e a cura, por cirurgias espirituais,
que hoje são muito procuradas. Só
o Lar Frei Luís, um centro espiritual
em Jacarepaguá, no Rio, recebe quase
três mil pessoas por reunião. "Temos
oito salas, duas de cura, três de
desobsessão, para afastar os espíritos
menos evoluídos, duas de atendimentos
genéricos e uma para crianças excepcionais"
explica o médico José Carlos Martins,
diretor espiritual do Lar Frei Luís.
Muitas pessoas que se submetem aos
tratamentos espirituais se dizem curadas.
A carioca Nely de Medeiros Reis garante
que conseguiu reverter um entupimento
na veia carótida recebendo passes
no Centro Espírita Leon Denis, no
Rio. "As radiografias atuais constatam
que a veia foi desobstruída. Hoje
me sinto muito bem", assegura.
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