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Rio de Janeiro, capital do culto ao
corpo, um dentista desenvolveu uma técnica
para deixar cabeça, tronco e membros
de lado e visitar outra dimensão
No estágio mais avançado do programa,
o Técnicas Projetivas I e II, estão
matriculados 15 alunos. A curiosidade
em experimentar o outro lado da vida
é tanta que se submetem a qualquer
sacrifício. Um deles é tentar ficar
deitado e imóvel por intermináveis
duas horas. Até uma coceirinha na
ponta do nariz deve ser evitada. O
ambiente é sinistro: um salão escuro,
silencioso e sem uma fresta de ar.
"Mantenham a mente lúcida. Não devaneiem
nem criem expectativas. Façam a energia
circular velozmente pelo corpo", orienta
o professor nissei Nário Takimoto.
Depois desses exercícios energéticos,
passa-se à técnica. Há um monte de
opções. Uma, é ficar o dia inteiro
sem beber água. O indivíduo vai dormir
com sede e imagina, antes de fechar
os olhos, que foi até a geladeira.
Dizem que é batata. Durante o sono,
o espírito sedento se desloca até
a cozinha. O professor Takimoto aplica
a técnica da respiração. Inspira-se
contando até 12 e prende-se o ar por
48 segundos. Se não morrer no meio
do caminho, o candidato está a um
passo do paraíso.
Os projeciologistas explicam que ausência
de oxigênio no cérebro leva a estados
alterados de consciência e facilita
uma expansão do corpo físico. A mentalização
durante os exercícios é fundamental.
A parapsicologia também trabalha com
o tema. "Quando as frequências cerebrais
são muito lentas, o sujeito deixa
o campo tridimensional e passa a sintonizar
com um campo de ondas mentais. Você
está onde você pensa", assegura o
parapsicólogo paulista Sidney Scandiuzzi.
Numa dessas aulas, o técnico em comunicação
Wagner Francisco Gomes, 38 anos, conta
que acabou incorporando um espírito
ao invés de sair do corpo. Na sua
opinião, era um estagiário do Além.
"Ele precisava ter um contato experimental
com um corpo físico. Fiquei fora do
ar", explica Gomes. Ele revela que
costuma se projetar para fora do corpo
durante o sono e já foi até o inferno.
O objetivo do curso é fazer os alunos
se projetarem quando estão acordados
e lúcidos. Detalhe: assegura-se que
ninguém perde o caminho de volta.
O espírito estaria ligado ao corpo
por um cordão energético. Para a ciência
tradicional tudo isso é balela. "Até
agora não existe nenhum método científico
que tenha demonstrado que a consciência
está associada a uma alma e pode se
desligar do corpo", afirma o psiquiatra
gaúcho Rogério Aguiar, membro da Associação
Brasileira de Psiquiatria.
Publicado por ISTOÉ em 7 de
julho de 1999.
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