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A reboque dos estudos sobre as mortes
clínicas desenvolvidos nos últimos
20 anos surgiu uma série de livros
com relatos de pessoas que estiveram
do outro lado e voltaram. Um dos mais
recentes e interessantes chama-se
After the light (Depois da Luz), escrito
há três anos pela assistente social
americana Kimberly Sharp, que colaborou
com a primeira tese sobre o assunto
do pediatra americano Melvin Morse.
Com mais de 100 mil exemplares vendidos
nos EUA, o livro conta a experiência
pessoal de morte clínica de Kimberly,
ocorrida quando ela tinha 22 anos,
em 1970, e outros casos testemunhados
por ela ao longo dos dez anos em que
trabalhou no Harborview Medical Center,
de Seattle, nos Estados Unidos.
O fato de viver em Seattle foi decisivo
para Kimberly escrever o livro. A
cidade tem o maior índice de ressuscitação
do mundo - mais de 25% das pessoas
que sofreram parada cardíaca conseguiram
sobreviver. Desse total, metade consegue
levar uma vida normal depois do trauma.
Foi na unidade coronariana do hospital
que Kimberly descobriu, sete anos
após sofrer uma parada cardíaca e
ficar desacordada por uma hora e meia,
que outras pessoas tinham histórias
parecidas com a sua. Sair do corpo,
entrar num túnel com uma luz muito
forte mas agradável e ver um filme
da vida nos mínimos detalhes são características
de quase todas as experiências.
Mas a maior e mais radical mudança
depois de ter estado com a vida por
um fio é o sonho de quase todo ser
humano: perder o medo da morte. "Isso
não significa que quero morrer. Adoro
a vida, mas é muito melhor viver sabendo
que tudo não acaba aqui", diz Kimberly.
Hoje, aos 50 anos, ela preside a Associação
Internacional de Estudos de Quase-Morte
de Seattle e é professora de Serviço
Social na Universidade de Washington,
onde também dá seminários sobre como
tratar doentes terminais para estudantes
de Medicina.
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