
Livro: primeiro da trilogia
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PnW - Houve um salto generalizado de esoterismo nesse período...
Naiff – Sim, e isso se deve, primeiro, à revista Planeta.
Segundo, às primeiras feiras esotéricas que ocorreram na década
de 80 em todo país, e terceiro, às obras de Paulo Coelho. Ele alavancou
muito a questão da busca da lenda pessoal, do esoterismo, do ocultismo,
e isso começou a aparecer na TV também. Eu diria que o tarô, a astrologia
e a numerologia se sedimentaram no Brasil na década de 90. As pessoas
pensam que se estuda isso há muito tempo, mas o uso do tarô no País
tem no máximo 20 anos. A não ser que soubessem inglês ou francês,
o primeiro tarô da maioria dos tarólogos brasileiros foi o da revista
Planeta.
PnW - O que define um tarô?
Naiff - Para ser tarô tem que ter 78 cartas. Depois, a seqüência
simbólica: o mago, sacerdotisa, imperatriz, imperador, com símbolos
análogos a eles. Por exemplo, existe o Tarô dos Anjos, com 46 cartas,
e nenhuma lembra os arcanos do tarô. Também temos o Tarô Cigano,
que tem 36 cartas e nenhuma lembra o tarô. Esses baralhos são as
Cartas de Madame Le Normand, que foi cartomante particular de Napoleão
e teve papel importante na Revolução Francesa. Só no Brasil essas
são chamadas de Tarô Cigano. Aqui, todos os tipo de jogos de carta
são chamado de tarô. No exterior, tarô é apenas aquilo que tem essa
estrutura de 78 cartas, com simbologia análoga ao significado de
cada arcano.
PnW - Como você definiria a arte do tarô?
Naiff - O tarô desenvolve a orientação do estado da pessoa.
Temos na nossa vida dois princípios, o nosso ser e o nosso estar.
O ser é a nossa essência, a tendência de vida, aquilo que está programado
em nosso caminho. Isso é visto maravilhosamente bem pela astrologia
ou numerologia. O estar é o seu momento, seu estado de vida. Por
exemplo, você pode estar trabalhando há cinco anos, pode estar amando
alguém há dois anos, então o tarô analisa esse seu momento transitório,
os ciclos que nós passamos anualmente, mensalmente. Ele analisa
o estar. Você pode ser uma pessoa calma e estar nervosa. A função
do tarô é analisar exatamente aquilo que você está programando para
a sua vida.
PnW - Você acha que o tarô realmente desvenda o futuro? Que
mecanismo é esse?
Naiff - O futuro no tarô é limitado. Nenhuma especulação
pode ser analisada pelo tarô. Tipo: irei casar um dia, terei filhos,
sucesso na profissão. Esse tipo de análise é melhor elaborada pela
astrologia e numerologia, que dão tendências de vida. Com o tarô
você tem que trabalhar com princípios bem tangíveis. Se está namorando
o João, pode perguntar sobre essa relação, o que vai ocorrer com
essa relação, o que há de encontro ou desencontro dentro disso.
Você pode analisar o seu trabalho, qual é a potencialidade do trabalho
que você está fazendo. Agora, se um dia você vai achar um trabalho
diferente desse, aí já é especulação, e especulações não funcionam
com o tarô.
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PnW
- Você acha que qualquer pessoa pode ler o tarô, não é importante
uma certa mediunidade, vidência?
Naiff - Não, nenhuma. Eu sempre falo que quanto mais cético
melhor, porque aí a pessoa vai realmente aprender a leitura simbólica
e não vai cair nos misticismos e “achismos”. Temos que ser tarólogos,
e não “achólogos”. O ser humano tem muitos conceitos culturais,
e o tarô tem alguns símbolos que têm que ser compreendidos dentro
da visão das ciências ocultas. Por exemplo, o arcano 13, o Ceifador,
que é desenhado como um esqueleto com uma foice, cortando cabeças.
Se a pessoa parte de um princípio cultural, vai achar que aquela
carta fala de morte física, mas essa carta jamais representa a morte
física. Oriundo das ciências ocultas, o esqueleto é a perpetualidade
da matéria, é o osso. E esse esqueleto está vivo. Ele está cortando
cabeças, o que representa modificação do padrão de pensamento ou
de comportamento. A carta do Ceifador é uma fase de renascer para
uma nova vida na Terra. Quando a pessoa não conhece os símbolos
tradicionais, os símbolos ocultos que estão no tarô, pode ler bem
errado. Quando a pessoa está envolvida com o candomblé e a umbanda,
ela vê o Diabo, o número 15, como o Exu. Vê a carta como maléfica,
mas nas ciências ocultas o Diabo fala do instinto humano, do desejo,
da ambição. Não tem nenhum lado maléfico externo.
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