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O tarólogo Nei Naiff está lançando o primeiro livro de sua trilogia
dedicada ao Tarô. Em entrevista à Planeta na Web, ele conta como
o jogo chegou ao Brasil e entrou em sua vida, e desenvolve alguns
dos temas explorados em Tarô,
Ocultismo e Modernidade.
Ele também desmistifica algumas das idéias que se alastraram sobre
esse oráculo que magnetiza tanta gente.

Nei Naiff: 3.000 alunos online
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DÉBORA LERRER
A primeira coisa que Naiff, 41 anos, faz questão de afirmar é que
todos os tarôs são iguais. “Para ser tarô tem que ter 78 cartas,
e aquela seqüência simbólica: o mago, sacerdotisa, imperatriz, imperador,
com símbolos análogos a eles”. Na ausência dessas características,
são cartas divinatórias – indiscriminadamente chamadas de tarô no
Brasil, onde esta arte chegou somente no final do século XX.
Com o objetivo de disseminar as concepções que ele desenvolveu e
pesquisou, e acabar de vez com a lenda de que o tarô é originado
do Antigo Egito, Naiff prefere dar cursos a consultas, mesmo sabendo
que é financeiramente menos rentável. Além do curso regular de um
ano que oferece no Rio de Janeiro, ele mantém um aulas gratuitas
pela Internet, e tem se espantado com as possibilidades didáticas
oferecidas pela rede. Enquanto cerca de 800 alunos se formaram,
ao longo de dez anos, em suas aulas regulares, mais de 3.000 vêm
acompanhando o curso que ele colocou no ar há menos de um ano. E
ele garante que os alunos à distância são dedicados, pois saem-se
muito bem nos questionários “bem cabeludos” que aplica para testar
o interesse dos internautas.
Naiff foi convidado pela Sociedade Internacional do Tarô, sediada
em Chicago, EUA, para participar de seu Congresso Internacional
que vai ocorrer em setembro de 2001. No evento ele falará sobre
a estrutura global do tarô aplicada à vida humana, e fará uma classificação
de todos os tarôs existentes. Descubra nesta entrevista o que para
Naiff é a grande mágica do tarô.
Planeta na Web - O que o levou ao Tarô?
Nei Naiff - Estudo as ciências ocultas desde os nove anos
de idade. Minha avó, Maria Eugênia, pertencia ao Círculo do Pensamento
Esotérico. Eu dormia no quarto dela, ouvindo-a ler em voz alta os
livros sobre chakras, aura, cristais, vendo-a fazer meditação, relaxamento.
Meu interesse começou cedo. Na minha adolescência, me dediquei aos
estudos espiritualistas, a umbanda, ao kardecismo.
PnW - Você freqüentou a umbanda?
Naiff - Cheguei a ser sacerdote de Oxun. Sou raspado no
Santo há 21 anos, mas não freqüento há 15. Continuo meu caminho
espiritual, mas sem nenhum tipo de religião. No final da década
de 70 comecei a estudar astrologia. Calculava os mapas a mão, o
que realmente demorava muito. Com o tarô achei um canal mais rápido,
pois a partir de uma pergunta eu eliminava esse tempo de cálculo.
Passei então a me dedicar mais ao tarô e a deixar a astrologia de
lado. Quando surgiram os computadores, voltei para a astrologia.
Hoje as duas estão equilibradas. Nesse processo a revista Planeta
tem um peso muito importante. Foi a Planeta que fez a alavanca do
estudo do esoterismo no Brasil. Eu coleciono desde o primeiro número,
desde 1973. Ela era o meu universo, e acredito que o universo de
muitos brasileiros que gostavam do assunto e não tinham acesso.
Em 74, a revista lançou o primeiro tarô de repercussão nacional
no Brasil. Até então só existia o Tarô Divinatório, que era editado
desde 1945 pela Editora Pensamento.
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PnW
- Esse foi o seu primeiro Tarô?
Naiff – Foi. Aliás, o primeiro de todo mundo no Brasil.
Era um Tarô de Marselha. Foi aí que se conheceu realmente o que
era o tarô. No Brasil o tarô é relativamente jovem e surgiu graças
ao evento da revista Planeta.
PnW - Quer dizer que todo esse contingente de cartomantes
só começou a surgir no Brasil depois da década de 70?
Naiff -Eu diria que foi só no final da década de 80, porque
a grande cultura brasileira nessa área era o jogo de búzios. Você
observa isso através das publicações. Até 1983, tínhamos apenas
cinco livros de tarô. Chegamos no final da década de 80 com 60 obras
sobre o assunto.
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