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  A vida traduzida em números

Nossos nomes são energias sonoras possíveis de serem reduzidas a números - que ao serem decodificados se tornam uma ferramenta poderosa para o nosso autoconhecimento. A Planeta na Web inicia aqui uma série voltada para esse estudo da energia dos nomes: a numerologia.

Débora Lerrer

 

Quando o célebre filósofo e matemático grego Pitágoras estabeleceu a relação entre a matemática e a música - que ele considerava o elo de ligação do homem com o Cosmo - ele descobriu a expressão numérica de vários tipos de som, estabelecendo a relação entre número e energia (no caso energia sonora). Surgia aí a idéia de que os números, tão usados pelos céticos racionalistas adeptos das ciências exatas, também possuem um lado subjetivo e um significado simbólico que os transformam em ferramentas para o auto-conhecimento. A ciência que estuda esse aspecto dos números é denominada numerologia. "Cada palavra ou nome vibra conforme um número, e cada número tem seu significado interno. Quando compreendemos e aplicamos corretamente o código das letras e dos números, nos introduzimos numa relação direta e estreita com a inteligência subjacente do universo", afirmam Faith Javane e Dusti Bunker em seu livro La Clave Secreta de los Números (Martinez Roca).
Para a numeróloga Maysa M. Marin, cuja metade da clientela é formada por empresários, não há necessidade de usar linguagem esotérica para justificar a numerologia. Acostumada a emitir laudos para candidatos a vagas em grandes empresas, ela afirma que a numerologia nada mais é do que uma ferramenta para ajudar as pessoas "a se entenderem melhor".
Sem ver a pessoa, munida só com o nome e a data de nascimento do candidato, Maysa costuma trabalhar com alguns consultores de recursos humanos, emitindo laudos que ajudam empresários a decidir qual dos candidatos é o mais adequado para determinados cargos. Por esta razão, ela considera a numerologia uma "análise técnica", pois está isenta da subjetividade inerente a qualquer contato pessoal. "Ela é uma análise sem emoção. Eu não coloco ali se eu acho o candidato legal e sim no que ele é bom e no que ele tem dificuldade". Graduada em pedagogia e com grande interesse em psicologia, a boa penetração do trabalho de Maysa no ambiente empresarial se deve a sua larga experiência como secretária bilíngüe para grandes empresas e multinacionais. "Isto me ajuda a ter a linguagem e a visão empresarial", explica.
Mas o grande segredo, para ela, não está na matemática, e sim na interpretação dos números de uma pessoa, que pode ter um conjunto de vários números dissonantes. "Quando você consegue fazer essas conexões, essa leitura da dinâmica pessoal do cliente, aí é que você consegue usar a numerologia como uma ferramenta de auto-conhecimento, e ajudar as pessoas".

História
Por volta de 3000 a C., os sumérios já possuíam um sofisticado sistema numérico que originou a hora de 60 minutos e o minuto de 60 segundos, mais tarde aperfeiçoado pelos babilônios e caldeus. Por volta de 356 a C., na época de Alexandre, o Grande, os caldeus preconizavam que seus conhecimentos de numerologia e astrologia já existiam cerca de 473 mil anos antes.
O sistema numerológico mais praticado no Ocidente se baseia nos ensinamentos do respeitado filósofo Pitágoras, nascido no século 6 a C., na ilha grega de Samos, no Mar Egeu, viajou para o Oriente, tendo estudado com líderes espirituais do Egito, Índia, Arábia, Pérsia, Palestina, Fenícia, Caldéia e Babilônia. Acredita-se que estudou com o sábio persa Zoroastro e aprendeu cabala na Judéia. Depois de girar mundo em busca de conhecimento, estabeleceu-se em Crótona, no Sul da Itália, abrindo uma escola para formar discípulos.
Suas teorias posteriormente inspiraram Platão - a quem devemos a maioria dos dados sobre os ensinamentos pitagóricos, já que Pitágoras nada deixou por escrito - São Tomás de Aquino, Santo Agostinho, Aristóteles e Francis Bacon. Pitágoras buscava a elevação do homem a partir do 1 (que representava o egocentrismo) ao 9 (despojamento). Também ensinava que "a Evolução é a lei da vida; o Número é a lei do universo; a Unidade é a lei de Deus".

Mudança de Nomes
A numeróloga Maysa Marin é contra a mudança de nomes na certidão de nascimento. "O nome é sagrado e todos os números têm lado positivo e lado negativo", explica. Para ela, quem troca de nome só troca de dificuldade.
Quando é o caso de uma pessoa pública que precisa de um nome artístico, Maysa costuma dar consultas para ver qual das opções que a pessoa traz é a melhor para o objetivo dela. Mas neste caso, o nome da certidão de nascimento continua a mesma.
Esse mesmo tipo de consulta ela costuma dar a pais, quando eles a procuram em busca de um nome para seus filhos. "Eu já aviso que eu não escolho nomes, pois eu estaria indo contra a natureza se escolhesse o nome do filho de alguém". Em geral, segundo ela, os pais levam as opções de nomes que eles têm em mente e ela faz um estudo. Ou seja, se a pessoa está em dúvida se vai colocar "ll" ou "l" no nome, ela diz quais serão as características que a criança vai ter de acordo com a escolha e eles decidem qual eles preferem mais.
No caso de uma empresa, por exemplo, ela estuda o nome e diz se vai ser bom para o tipo de negócio do cliente ou não. "Se você está fazendo uma empresa de engenharia e o nome tem uma carga de energia de criatividade, eu aconselho mudar, pois uma empresa desse tipo tem que passar solidez, segurança", explica ela.


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