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Campo da tradição: celebrando solstícios, equinócios e a lua cheia

Como várias ordens, a Golden Dawn faz rituais de fogueira que são celebrados em um "campo da tradição", localizado em um sítio perto de Porto Alegre. Nesse local, eles celebram solstícios, equinócios e a lua cheia. Além do campo da tradição, eles também mantém um templo freqüentado somente por mestres e iniciados com grau mais elevado. Embora seja essencialmente pagã e, portanto, vinculada ao culto e à interação ritual com os elementos da natureza, a Golden Dawn também possui traços da maçonaria britânica e da Ordem Rosa Cruz européia.

Já o sistema de magia transmitido pela Ordem reúne elementos de várias tradições. Eles trabalham com magia egípcia, com kabbalah, com magia celta e xamanismo, visto sempre sob o ponto de vista do dualismo, princípio que para eles estrutura o mundo. "De um lado, a misericórdia, do outro a severidade, de um lado o homem, do outro a mulher, e assim por diante. É do equilíbrio de duas forças antagônicas que geram o caminho do meio que é o que nós tomamos", explica Shan.

Despreocupados em falar em termos de panteões, a Ordem cultua o princípio feminino gerador e um deus masculino. "É da união do deus e da deusa que nós somos criados e é isso que gera a criação de tudo", diz Shan. "O princípio feminino é a deusa amor, e o masculino é o deus vida."

"O amor é a razão da vida", sintetiza Ibis. "Buscamos uns aos outros até descobrir o segredo de tudo, que é o amor. Todos os seres vivos, sejam eles insetos ou flores, se buscam, se encontram e se reproduzem", diz. "A reprodução é um ato divino. Temos que encontrar o amor para fazer o que os deuses fizeram para gerar o universo". Para ele, isso explica por que existe dificuldade entre o masculino e o feminino. "É para que eles descubram um motivo para a vida, o segredo da Deusa, que é o amor."

Por basearem sua magia na dualidade, os membros da Ordem também não excluem o mal. "Ao invés de excluir o mal e só se colocar o bem, nós procuramos o equilíbrio. Queremos a aplicação justa das forças contrárias", diz Ibis.

"Tem que ter coragem de se olhar e conviver com os aspectos negativos de sua personalidade. Temos que trabalhar o lado negativo para transformá-lo", diz Shan. "Não adianta transformar o lado negativo em bom. Temos que procurar equilibrar o lado negativo e positivo, as forças contraditórias. Não podemos anular esses lados. Encontrar sua síntese é o caminho do meio."

Eles justificam essa opção novamente baseando-se nas diferenças entre homens e mulheres, cujo encontro gera a vida. "Os contraditórios não se excluem, são complementares. Esse equilíbrio é o caminho do meio", explica a grã-mestre.


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