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Perto dos homens, mais perto ainda de
Deus. Mensageiros ou guardiões, os seres
angélicos estão sempre a postos
DÉBORA LERRER
A idéia de seres alados, luminosos,
belos e coroados, agentes da
providência divina, cuja função
é zelar e proteger os humanos,
trabalhando por nossa evolução
é presente em quase todas as
civilizações que existiram na
Terra. Segundo o médico Eduardo
Cunha Farias, 52, que se dedica
ao estudo dos anjos desde 1973,
há referências destes seres
alados em imagens esculpidas
na Mesopotâmia que datam 4.500
a.C. Para Farias, que também
é consultor da ONU e renomado
pesquisador de embriologia do
Instituto de Ciências Biomédicas
da Universidade de São Paulo,
a idéia de seres angélicos é
"absolutamente universal". Anjos
ou seres semelhantes existem
na mitologia grega (Hermes ou
o Mercúrio dos romanos), no
shamanismo, no Zoroastrismo,
no Hinduísmo e no Islamismo.
Farias cita também o Exu do
Candomblé e os Caraibebes, de
religiões de índios brasileiros,
como exemplos de entidades que
cumpririam um papel semelhante
ao que a tradição judaico-cristã
confere aos anjos. Para Farias
os anjos são "seres de luz numa
vibração específica". Dono de
uma biblioteca de mais de 200
volumes sobre o assunto, o estudioso
explica: "Lá em cima está Deus,
o criador, aqui embaixo, todas
as formas criadas, as criaturas.
Deus está em tudo e em todo
lugar, porém ele não está diretamente
e sim através dos chamados co-agentes
da criação: os anjos, que seriam
como co-expansões de Deus, ou
executivos do Eterno". A concepção
de anjos como os conhecemos
hoje, presente tanto no Cristianismo
como no Islamismo, é uma apropriação
dos anjos e gênios presentes
nos textos judaicos. Eles aparecem
no Gênesis, nos Salmos, no Êxodo
e em várias outras partes da
Bíblia. A palavra "anjo" vem
do grego ággelos e significa
mensageiro. Este termo foi traduzido
do hebraico malakh no século
2 a.C. para o grego, língua
universal na época, e é basicamente
o mesmo que a palavra mala'ika,
o termo utilizado pelo islamismo
para denominar anjo.
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