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Guru alardeia
receber dons extraterrestres, atrai
multidões mas também a fúria dos ufologistas
Satanás
| Foto:
ALAN RODRIGUES |
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| Gevaerd
mostra como surgem as luzes
das supostas naves |
Diante de um grupo de 500 pessoas,
Gevaerd tentou há dois anos demonstrar
que uma das luzes exibidas por
Urandir era um simples facho de
caneta a laser, similar ao modelo
que ele próprio levou à fazenda.
"A multidão ficou enfurecida.
Eu e meus amigos saímos de lá
apedrejados, xingados de Satanás",
lembra. Assim que soube da existência
de Urandir, a aeromoça aposentada
Julieta de Paraíso, que mora em
São Paulo, integrou outro grupo
de 500 visitantes ao Portal. Lá,
notou uma forte resistência dos
seus companheiros de viagem em
comentar detalhes como o sumiço
de empregados durante os avistamentos
das naves espaciais. "O fanatismo
é tão forte que temo que aconteça
uma tragédia como a dos Heaven's
Gate", diz Julieta, referindo-se
ao suicídio coletivo ocorrido
há dois anos, em San Diego, na
Califórnia, por 39 pessoas que
acreditavam estar embarcando na
cauda do cometa Hale-Bopp. "A
região onde se localiza o Portal
é, em si, mística. Urandir não
precisava usar embustes para faturar".
Julieta ainda guarda uma pedrinha
que Urandir garante ter retirado
de sua testa como se estivesse
extirpando um chip colocado por
ETs. "Tudo é feito num cômodo
escuro, no mesmo em que ele se
apresenta com as mãos fosforecentes",
diz. Não são poucos os que atestam
que a luminosidade é resultado
de produtos à base de fósforo.
"É química pura. Urandir tem uma
paranormalidade, consegue entortar
moedas e garfos. Mas usa truques
de todo tipo", declara Rubem Índio
Godoy. Conhecido como Índio, no
final de 1994 ele largou o emprego
público, na Fundação Nacional
de Saúde, para atuar como braço
direito de Urandir na implantação
do projeto, do qual se desligou
quatro anos depois. "Não somos
inimigos, mas não voltaria a trabalhar
para ele. Essa história de cura
é piada. Toda vez que seus filhos
adoecem, ele corre para o médico",
relata.
Lotes
As pedras que Urandir apresenta
como enviadas por extraterrestres
são comuns nas imediações da serra
de Maracaju, cujo morro mais visível
é o de São Sebastião, vizinho
ao Portal. "Embora tenham formato
bastante exótico, essas pedras
têm uma origem geológica natural.
São rochas de arenito com alto
grau de ferro", afirma o arqueólogo
Gilson Martins, da Universidade
Federal do Mato Grosso do Sul.
Moradora de uma colônia da região,
Olgarinda Caetano da Silva ganha
a vida vendendo pedrinhas para
turistas. "Antes, catava para
o Urandir, que comprava baratinho.
Todo mundo catava. De uns tempos
para cá, ele parou de comprar",
esclarece Olgarinda.
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