ÁREA 51 > Ufologia
  O santo que veio do espaço - continuação

Um congresso em Curitiba revela que a virada do milênio estimula o crescimento dos adeptos da ufologia mística

Foto: JUCA RODRIGUES
"Cerca de 90% dos filmes e das fotos de naves que analiso são fraudes"
Ricardo Varella, engenheiro do Inpe
Terceiro segredo
Como era de se esperar num lugar desses, a maior estrela do Congresso foi Giorgio Bongiovanni, um italiano ex-vendedor de sapatos que diz ser o único no mundo a conhecer o terceiro segredo de Fátima. Disputado pelos participantes como se fosse um ator de telenovela, suas revelações foram para lá de catastróficas – a terceira guerra mundial e a invasão do planeta por seres extraterrestres. Para completar o cenário aterrorizante, Bongiovanni mostrou chagas idênticas às de Cristo, feridas na testa, nas mãos e nos pés que sangram diariamente e, ele jura, teriam sido consequência de um raio lançado por Nossa Senhora de Fátima – ela também um possível ET. Maria da Luz Moreira, uma empresária catarinense de 49 anos, foi uma das muitas que se encantaram com o italiano. "Creio em tudo o que me dizem porque já tive experiências que ninguém consegue imaginar". Maria diz que numa noite três homenzinhos cinzas, chamados de grays, invadiram o quarto dela e de sua irmã. Foram jogadas no chão e amordaçadas. "A nossa sorte foi que eles receberam uma ordem superior para que não nos levassem. Foi uma experiência traumatizante".

Mas ao lado de toda essa etemania, que se realimenta dos filmes de ficção científica, estão pesquisadores que se dedicam a investigar o fenômeno ufológico baseados em metodologias sofisticadas. Céticos, eles são uma espécie rara neste universo que mistura religião e misticismo popular. Não crêem em possíveis invasões alienígenas, mas buscam explicações verossímeis para o aparecimento de discos voadores. As estatísticas mostram que, em se tratando de objetos voadores e abduções, nem tudo o que reluz é ET. Mais de 90% das fotos e dos filmes de naves que Ricardo Varella, engenheiro do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), analisa "são fraude ou engano de quem tirou a foto". Ainda segundo Varella, os relatos de abduções e avistamentos não só cresceram como sofisticaram-se neste fim de século. "Nos anos 80, os ETs sequestravam as pessoas na marra e dando porrada. Mas os abduzidos desta década descrevem naves com um sistema de teletransporte e raio laser paralisante. Ou seja, embora alguns casos sejam intrigantes, a maioria deles é pura ficção científica."



Foto: JUCA RODRIGUES
"Ashtar Sheran tem um olhar penetrante e é lindíssimo. Ele transmite paz" - Teresa Moreira Garcia, dona de casa
Afirmações como esta já não chateiam mais os que garantem ter sido abduzidos. Eles têm explicação até mesmo para os filmes sobre o tema. "É óbvio que os cineastas americanos têm acesso a documentos ultra-secretos da Nasa e recebem mensagens dos ETs", acredita Ricardo Nogueira Ramos, advogado paulista de 49 anos que já viu inúmeros Ovnis. "Foi uma pena que o maior e mais bonito dos que vi me fez sofrer", lamenta Ricardo. Durante um ano, o advogado criou problemas em casa e no trabalho. Por causa do excesso de energia que a nave espacial deixou em seu corpo, ficou proibido de manipular produtos elétricos e eletrônicos. "Bastava eu chegar perto de uma lâmpada que ela queimava. Não podia usar um computador que ele pifava". Felizmente, ele já se livrou das perturbações. Pelo menos até a próxima visita alienígena, as lâmpadas da casa de Ricardo estarão acesas.


Publicado por ISTOÉ em 16 de junho de 1999.


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