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Um
congresso em Curitiba revela que
a virada do milênio estimula o
crescimento dos adeptos da ufologia
mística
| Foto:
JUCA RODRIGUES
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"Cerca de 90% dos
filmes e das fotos de
naves que analiso são
fraudes"
Ricardo Varella, engenheiro
do Inpe
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Terceiro segredo
Como era de se esperar num
lugar desses, a maior estrela
do Congresso foi Giorgio Bongiovanni,
um italiano ex-vendedor de sapatos
que diz ser o único no mundo a
conhecer o terceiro segredo de
Fátima. Disputado pelos participantes
como se fosse um ator de telenovela,
suas revelações foram para lá
de catastróficas – a terceira
guerra mundial e a invasão do
planeta por seres extraterrestres.
Para completar o cenário aterrorizante,
Bongiovanni mostrou chagas idênticas
às de Cristo, feridas na testa,
nas mãos e nos pés que sangram
diariamente e, ele jura, teriam
sido consequência de um raio lançado
por Nossa Senhora de Fátima –
ela também um possível ET. Maria
da Luz Moreira, uma empresária
catarinense de 49 anos, foi uma
das muitas que se encantaram com
o italiano. "Creio em tudo o que
me dizem porque já tive experiências
que ninguém consegue imaginar".
Maria diz que numa noite três
homenzinhos cinzas, chamados de
grays, invadiram o quarto dela
e de sua irmã. Foram jogadas no
chão e amordaçadas. "A nossa sorte
foi que eles receberam uma ordem
superior para que não nos levassem.
Foi uma experiência traumatizante".
Mas ao lado de toda essa etemania,
que se realimenta dos filmes de
ficção científica, estão pesquisadores
que se dedicam a investigar o
fenômeno ufológico baseados em
metodologias sofisticadas. Céticos,
eles são uma espécie rara neste
universo que mistura religião
e misticismo popular. Não crêem
em possíveis invasões alienígenas,
mas buscam explicações verossímeis
para o aparecimento de discos
voadores. As estatísticas mostram
que, em se tratando de objetos
voadores e abduções, nem tudo
o que reluz é ET. Mais de 90%
das fotos e dos filmes de naves
que Ricardo Varella, engenheiro
do Instituto Nacional de Pesquisas
Espaciais (Inpe), analisa "são
fraude ou engano de quem tirou
a foto". Ainda segundo Varella,
os relatos de abduções e avistamentos
não só cresceram como sofisticaram-se
neste fim de século. "Nos anos
80, os ETs sequestravam as pessoas
na marra e dando porrada. Mas
os abduzidos desta década descrevem
naves com um sistema de teletransporte
e raio laser paralisante. Ou seja,
embora alguns casos sejam intrigantes,
a maioria deles é pura ficção
científica."
| Foto:
JUCA RODRIGUES
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| "Ashtar
Sheran tem um olhar penetrante
e é lindíssimo. Ele transmite
paz" - Teresa Moreira Garcia,
dona de casa
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Afirmações
como esta já não chateiam mais
os que garantem ter sido abduzidos.
Eles têm explicação até mesmo
para os filmes sobre o tema. "É
óbvio que os cineastas americanos
têm acesso a documentos ultra-secretos
da Nasa e recebem mensagens dos
ETs", acredita Ricardo Nogueira
Ramos, advogado paulista de 49
anos que já viu inúmeros Ovnis.
"Foi uma pena que o maior e mais
bonito dos que vi me fez sofrer",
lamenta Ricardo. Durante um ano,
o advogado criou problemas em
casa e no trabalho. Por causa
do excesso de energia que a nave
espacial deixou em seu corpo,
ficou proibido de manipular produtos
elétricos e eletrônicos. "Bastava
eu chegar perto de uma lâmpada
que ela queimava. Não podia usar
um computador que ele pifava".
Felizmente, ele já se livrou das
perturbações. Pelo menos até a
próxima visita alienígena, as
lâmpadas da casa de Ricardo estarão
acesas.
Publicado por ISTOÉ
em 16 de junho de 1999.
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