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Um
congresso em Curitiba revela que
a virada do milênio estimula o
crescimento dos adeptos da ufologia
mística
| Foto:
JUCA RODRIGUES
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Bongiovanni diz que
recebeu um raio de Nossa
Senhora de Fátima e herdou
as chagas de Cristo
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Para
quem não sabe, Ashtar Sheran é
um alienígena loiro de um 1,90
m, olhos azuis, que usa macacões
prateados ao estilo do Capitão
Kirk, de Jornada nas estrelas,
um velho conhecido e o grande
mito dos adeptos da ufologia mística.
É o presidente da ONU intergaláctica,
na qual Jesus, ou Lord Sananda,
é o representante da Terra. A
organização nos protege do mal
que vem de outras dimensões, trabalhando
para a evolução espiritual e científica
dos terráqueos. Os que já estiveram
com Ashtar garantem que ele é
mesmo sedutor, caso de Teresa
Moreira Garcia, uma dona de casa,
55 anos, que chora de emoção sempre
que toca no assunto. "Tem um olhar
penetrante e é lindíssimo. Ele
transmite uma paz enorme". A primeira
vez que Teresa viu um disco voador
foi em 1977, quando abriu a janela
do quarto e deu de cara com um
imenso objeto oval luminoso. "Acordei
meu marido e contei que estava
vendo um Ovni, mas ele me mandou
dormir".
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| GUARDIÕES
Sananda e Ashtar Sheran
zelam pela evolução espiritual
dos terráqueos
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O
marido de Teresa não acredita
nessas coisas, mas a história
dela é idêntica à de milhares
de outros entusiastas do assunto.
Mas existem também os ufólogos
incrédulos. "Com bobagens como
Ashtar Sheran, não é à toa que
o número de pessoas interessadas
no assunto cresceu assustadoramente
nos últimos anos", diz Rafael
Cury, sócio-fundador do NPU. "ET
é um produto fácil de ser vendido:
não precisa entregar, basta dizer
que ele existe", ironiza. Enquanto
a idolatria a seres extraterrestres
se restringir a um modismo comercial,
os pesquisadores da ufologia científica
não se preocupam. O problema é
o fanatismo que pode surgir. "Lamento
que haja pessoas que cultuam naves
espaciais, estrelas e cometas
porque podem virar seitas perigosas,
como o Heaven’s Gate", diz Claudeir
Covo, que há 33 anos pesquisa
o fenômeno, referindo-se aos 39
lunáticos que cometeram suicídio
na Califórnia, em março de 1997,
acreditando que o cometa Hale-Bopp
levaria suas almas para o espaço.
"Todo fim de século é assim: previsões
catastróficas fazem pessoas cometerem
loucuras. É preocupante saber
que esses episódios podem se repetir".
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