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Há
50 anos, a notícia de que Ovnis
se espatifaram em Roswell matando os
seres que os ocupavam transformou o
local em epicentro da ufologia
No
dia 6 de julho, MacBrazel, um
empregado do rancho Foster,
foi ver como estavam as ovelhas.
Havia chovido e relampeado muito
durante a madrugada e os bichos
poderiam estar nervosos. E,
em meio ao pasto, Brazel encontrou
o que pareciam ser pedaços de
uma aeronave. Ele juntou tudo,
num total que calculou pesar
dois quilos e meio. Os destroços
foram tirados das mãos de Brazel
pelo major Jesse Marcel, que
antes de levar tudo para seus
superiores passou em casa e
mostrou os objetos à sua família.
O filho do major é hoje um médico
de 60 anos e mora em Montana.
Ele disse a ISTOÉ que lembrava
bem do episódio: "Meu pai chegou
excitado dizendo que a Força
Aérea tinha achado um disco
voador. Mostrou à minha mãe
e a mim umas barras finas e
varetas feitas de um metal muito
leve. Havia também umas folhas
de algo que parecia papel alumínio,
mas não amassava. Vi distintamente
numa das barras sinais que lembravam
hieróglifos. Não tenho dúvidas
de que fosse algo alienígena",
garantiu.
Nem o estraga prazeres Kent
Jeffrey é capaz de contestar
o testemunho de Marcel Jr. Ele
levou o médico a um famoso hipnotizador
de Washington para recuperar
as memórias daquele momento.
"O dr. Marcel Jr. é um homem
difícil de se hipnotizar, mas
ele emergiu num semitranse.
Não tenho dúvidas de que lembrou
com precisão dos eventos daquela
noite na cozinha de sua casa.
O problema é que os destroços
que ele viu não eram de um disco
voador, mas sim de um balão
carregando um radar-refletor.
Quatro semanas antes de Brazel
achar os destroços, um desses
balões havia caído na região.
Fazia parte de um projeto secreto,
somente agora divulgado pela
Força Aérea", revela Jeffrey,
escudado em documentos recém-liberados
pelo governo americano. "O balão
- lançado em Alamogordo - fazia
parte de um projeto idealizado
por engenheiros da New York
University e se chamava Mogul.
Procurava detectar a radioatividade
em artefatos nucleares. Seria
usado para espionar o arsenal
soviético", diz Jeffrey. Desse
modo, o que Marcel Jr. viu foram
partes desse balão.
Nem todos os habitantes da cidade,
porém, tinham qualquer noção
de uma suposta chuva de Ovnis
na área. A maioria permanecia
ignorante. Este quadro foi modificado
graças àquele que seria - pelo
intervalo de um dia - o maior
furo de jornalismo da história
desde que Moisés subiu a montanha
e entrevistou Deus. Chamado
para preparar um press release
sobre o evento da descoberta
dos destroços, Walter Haut,
o assessor de imprensa do 509o
Bomb Group, escreveu que a Força
Aérea tinha achado uma nave
espacial. "RAAF captura disco
voador num rancho na região
de Roswell", manchetou no dia
8 o jornal Roswell Daily Record.
"O coronel William Blanchard,
que era o comandante, me disse
textualmente que tinha capturado
um disco voador e que iria despachá-lo
para a base de Fort Worth, no
Texas", jura Haut, que hoje
é um empertigado senhor de 75
anos. "Walter Haut há anos ganha
a vida graças à história que
ele conta. Já mudou a narrativa
várias vezes. Ninguém em Roswell
lhe dá crédito", assegura Steven
Schiff, deputado republicano
pelo Novo México e que durante
anos se dedicou a atormentar
o Pentágono para tornar público
todos os papéis relacionados
ao incidente de Roswell. E o
Roswell Daily Record no dia
9 de julho foi obrigado a desmentir
a história, depois que o general
de brigada Roger Ramey pessoalmente
negou a existência de discos
voadores.
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