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Por
Cadmo Soares Gomes
Fotos: Maria Yêdda Soares Gomes
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Fotos:
Maria Yêdda Soares Gomes
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| Tomada
parcial do rio Una, em região próxima de São Luís: beleza
oculta nas terras maranhenses. |
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Há
alguns anos, vi em Paris, na Galeria Samaritaine, perto do Louvre,
umas fotografias de autoria do francês Peyrefitte. Algumas delas
chamaram-me a atenção pela beleza do lugar que retratavam. Conferi:
“Rio Una, Maranhão, Brésil.” Tendo vivido boa parte de minha vida
naquele Estado, perguntei-me: “Que rio é esse, do qual nunca ouvi
falar? Deve ser longe de São Luís.”
Um
dia, em visita à capital maranhense, falei desse episódio a meu
pai, que me disse: “Fica aqui pertinho, em Morros. Podemos ir
lá quando você quiser.” Não pensei que fosse tão fácil. Tomamos
um carro e saímos da ilha de São Luís, para o continente. Depois
de cerca de 50
quilômetros
pela rodovia BR-135, eu, que ia dirigindo, não atentei
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| Recanto
entre a vegetação: paisagem para horas de… … relaxamento. |
para
o local em que deveria entrar e passei direto. Teria que ter entrado
no lugar chamado Bacabeira, à esquerda. Percebido o erro, retornei
e seguimos o rumo certo, até a cidade de Rosário. Dali, dirigimo-nos
para o município de Morros, logo atingindo uma estrada de terra
com travessias aqui e ali, em pontezinhas de madeira.
Quarenta
quilômetros depois de Bacabeira, a chegada ao rio Una foi quase
de surpresa. Subitamente, sem aviso, estávamos lá. O calor forte
do Maranhão, amenizado pela brisa que balança as palmeiras esguias
de juçara, ali cede espaço a um clima agradável e convidativo
para horas de doce preguiça e relaxamento.
As
fotos de Peyrefitte faziam justiça à beleza do lugar. O rio
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| O
rio em toda a sua força: águas sujeitas ao regime das marés.
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Una,
que significa “negro” em língua tupi, é um curso d’água escondido,
não negro, mas dourado pelos reflexos do sol; tem areia branca
e fina, sendo margeado de palmeiras de buriti, juçaras e de árvores
altas, como a andiroba. Tudo ali está ainda livre das desvantagens
da civilização.
Sujeito
ao regime das marés, o rio sobe e desce durante o dia. Ora é quase
somente uma esteira d’água cristalina, ora um caudal de quase
dois metros de profundidade. Crianças alegres mergulham em suas
águas, saltando do topo de uma simples ponte de madeira. O som
da algazarra infantil às vezes é quebrado pelas vozes dos inúmeros
pássaros que vivem naquelas paragens ainda incólumes.
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