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O
Brasil vive hoje uma crise de crescimento, que deve dar espaço
a um novo País. Para tanto, porém, terá de enfrentar um grande
desafio psicológico e espiritual: o seu baixo grau de auto-estima,
desenvolvido ao longo desses 500 anos.
Por Carlos Cardoso Aveline(*)
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Paula Simas |
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O
destino de todos os povos é a luz. A escuridão só
existe para testar a força do avanço em direção
ao bem. Por isso nenhum povo, em tempo algum, afirmou-se como nação
ou como país sem amar a terra e a natureza, ou sem respeitar
a vida. O Brasil, que parece viver hoje sua adolescência,
prepara-se para superar algumas incertezas e ingressar definitivamente
na vida adulta.
Assim como as pessoas vencem desafios e dificuldades com a força
do respeito por si mesmas, os povos avançam com base no sentimento
de auto-estima. É verdade que na fase infantil de uma nação,
assim como na infância de um ser humano, pode haver pouca
autoconfiança e um excesso de dependência dos mais
velhos ou mais poderosos. Mas o curso normal da vida leva tanto
o indivíduo imaturo como os povos jovens a uma forte afirmação
da sua presença no ciclo da vida.
A situação brasileira atual, cheia de desafios, é
uma crise de crescimento. O País, inseguro e confuso, acaba
de completar 500 anos. Ele vem tentando encontrar sua identidade,
mas enfrenta o obstáculo interior que é seu baixo
nível de auto-estima. Um exemplo disso é a falta de
ética na administração pública.
O
comportamento da população é sempre influenciado
pela atitude dos seus líderes. O comportamento dos poderosos
diz mais à população do que as suas palavras.
Por isso, um dos aspectos graves das estranhas atividades de Eduardo
Jorge Caldas Pereira no Palácio do Planalto é que
a sua atuação como assessor direto do presidente Fernando
Henrique acabou ferindo o respeito do povo brasileiro por si mesmo
e pelas leis.
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Roberto Jayme
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| A
atuação de Eduardo Jorge.... |
Este
também é um efeito nocivo do fato de que o juiz
Nicolau dos Santos Neto, responsável pelas obras do Tribunal
Regional do Trabalho de São Paulo, íntimo até
há pouco tempo da Presidência e dos círculos
do poder, esteja ainda impune, apesar de procurado pela Polícia
Federal. Sempre que corruptos poderosos escapam sem castigo, cai
o nível da auto-estima do povo honesto e trabalhador. Em
compensação, cada vez que os membros do Ministério
Público Federal lutam por restabelecer a lei e a ética,
o País acredita um pouco mais em si mesmo.
Como
uma pessoa, um povo necessita de um projeto histórico e metas
claras. Sem isso, ele corre o risco de perder o respeito por si
mesmo. Seu comportamento individual e coletivo pode ser tomado pela
busca do prazer de curto prazo, abrindo-se o caminho para a irresponsabilidade
e a desgraça. Do ponto de vista psicológico e espiritual,
há algo em comum entre fatos aparentemente dispersos como
a estranha amizade entre o juiz Nicolau e Eduardo Jorge, as privatizações
apressadas, o enfraquecimento da Petrobras, a política econômica
que prioriza o capital especulativo, a multiplicação
dos assaltos a banco, dos seqüestros, da pornografia, da violência
na televisão e nas ruas e do tráfico de drogas. Todos
esses fatos expressam, de diferentes maneiras, a mesma falta de
auto-estima e de noção de limites que caracteriza
a adolescência do nosso povo. Por sua vez, para expressar-se,
a espiritualidade necessita que o País esteja organizado
com ética e decência em todos os seus âmbitos
e aspectos.
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Juca Rodrigues |
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...
e a impunidade do juiz Nicolau dos Santos (à dir.)
acabaram ferindo o respeito do brasileiro por si mesmo e
pelas leis.
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Vejamos
o caso das prioridades do orçamento nacional, que ilustra
a falta de bom senso institu-cional. No primeiro semestre de 2000,
o Ministério da Defesa, que reúne as três Forças
Armadas, gastou 140,5 milhões de reais. No mesmo período,
o Ministério da Educação teve apenas 41 milhões
para investir; o da Saúde, 47,6 milhões; o do Trabalho,
8,4 milhões; e o Ministério da Previdência e
Assistência Social, 8,6 milhões. Somando todos os ministérios
da área social, temos apenas 105 milhões de reais
no semestre, contra 140,5 milhões da área militar.
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