|

Criação
de Satanás, obra de Hermes-Thot ou invenção cabalística – inúmeras
são as teses que pretendem decifrar a misteriosa gênese do tarô.
Ao lado destas, outras, mais abalizadas, estabelecem na China
o seu surgimento e asseguram aos humanistas europeus a retomada
de seu primitivo simbolismo. Mas, apesar de todas as tentativas
de explicação, ainda permanecem muitas dúvidas a respeito de sua
verdadeira origem.
 |
 |
O
Enforcado (à esq.) e A Morte, versões
que teriam sido inventadas para distrair
o rei Carlos VI. |
Apesar
das inúmeras pesquisas que as escolas e sociedades secretas
têm realizado através dos séculos, o verdadeiro
significado do tarô permanece envolto em mistério.
Ainda hoje, pouco de positivo se pode afirmar sobre os primórdios
do jogo, em virtude da multiplicidade de versões existentes
acerca do seu país de origem, bem como da associação
primitiva entre os arcanos maiores e menores.
Segundo alguns historiadores, o tarô começou a se
tornar conhecido na Eu em fins do século 14, mais precisamente
entre os anos 1370 e 1380. Essa suposição baseia-se
principalmente na narrativa de frei João, um monge suíço
que, em 1377, fala de um jogo de cartas o qual, entre outras coisas,
indica, pelas suas figuras, o atual estado do mundo. No entanto,
como o monge descreve um baralho com 52 cartas e quatro naipes,
em tudo semelhante ao jogo moderno e não ao tarô,
a incerteza continua.
Existe ainda outro registro, datado de 1392, que menciona uma
encomenda de três baralhos, pintados e ornamentados, ao
artista Jacquemin Gringonneur, por ordem do rei Carlos VI. Por
muito tempo se pensou que as 17 cartas de tarô existentes
na Biblioteca Nacional de Paris fizessem parte desse baralho.
Agora, contudo, os especialistas refutam essa idéia, presumindo
que as cartas sejam de origem italiana, confeccionadas em 1470.
Com isso, desmente-se a afirmação do padre Menestrier,
feita em 1704, de que Gringonneur inventara o tarô em 1392
para distrair o rei Carlos VI durante seus ataques de loucura.
Também não é muito provável que as
cartas tenham sido inventadas e confeccionadas na França
antes de 1369, pois um decreto francês daquela data, proibindo
os jogos de azar, não faz menção às
cartas comuns ou a jogos semelhantes ao tarô. Assim, pode-se
deduzir que o baralho tenha mesmo aparecido na Europa entre 1370
e 1380.
De acordo com uma das versões mais plausíveis, o
tarô procede do norte da Itália, do vale do rio Taro,
afluente do rio Pó, do qual teria se derivado seu nome.
Talvez seja mera coincidência, mas, de fato, na Itália
o jogo é conhecido como tarocchi e, além
disso, o baralho moderno descende do tarô veneziano ou piemontês,
composto por 22 arcanos, semelhante ao francês, conhecido
como Tarô de Marselha. Este último, que conta com
78 cartas, incluindo os 22 arcanos, tornou-se um tipo-padrão,
embora os desenhos, os nomes e a ordem dos arcanos tenham sido
várias vezes alterados. Na Sicília do século
17, por exemplo, a Grã-Sacerdotisa, o Diabo e o Julgamento
foram substituídos por cartas mostrando um Mendigo (Povertá
ou Miséria), uma fi-gura feminina (Constância)
e por outras intituladas Navio e Júpiter.
Existem algumas escolas iniciáticas que atribuem a origem
do tarô ao Egito. O livro As Grandes Iniciações
Segundo os Arcanos Menores do Tarô, traduzido para o
português por Martha Pécher, diz textualmente que
segundo a Tradição, quando os sacerdotes egípcios,
herdeiros da sabedoria atlântica, eram ainda guardiães
dos mistérios sagrados, o grande hierofante convocou ao
templo todos os sábios sacerdotes do Egito para que, juntos,
pudessem achar um meio de preservar da destruição
os ensinamentos iniciáticos, permitindo, assim, seu uso
às gerações de um futuro distante. (...)
O grandioso sistema simbólico da sabedoria esotérica
o tarô foi dado à humanidade sob a
forma de um baralho de 78 cartas que, desde milhares de anos,
servem para satisfazer a curiosidade humana a respeito de seu
futuro ou para distrair e matar o tempo jogando. Nessas cartas
os sábios egípcios encerraram toda a sabedoria que
tinham herdado, todos os conhecimentos que possuíam, toda
a verdade que lhes era acessível a respeito de Deus, do
universo e do homem.
|