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EDUARDO ARAIA

CINEMA

Ajuda do mito
Divulgação
Um Estranho Chamado Elvis: clima de encantamento para temática espiritualista.
Abalado pela morte da esposa, num acidente de automóvel em Memphis, o estudante de medicina Byron (Jonathon Schaech) passa a vagar sem destino pelos Estados Unidos, no mesmo automóvel que foi parte da tragédia. Um ano depois, um estranho (Harvey Keitel) lhe pede carona numa estrada perdida do interior do país. O sujeito se apresenta como Elvis, diz que já morreu e cita, como suas, lembranças do próprio Elvis Presley. Mas, num país tão fanático pelo rei do rock, o que não falta são pessoas pretendendo se passar por ele, pensa Byron. Mesmo achando que o estranho só lembra Elvis no cabelo, ele aceita a companhia.
O que o rapaz imagina inicialmente que será uma breve carona para um maluco vai ganhando incidentes e desdobramentos inesperados até o retorno a Memphis – cidade da qual Byron se afastou depois da morte da esposa e que abriga Graceland, a mansão onde Elvis morou. O percurso e tudo o que ele envolve servirão para transformar o interior dilacerado do jovem viúvo.
Produção modesta, Um Estranho Chamado Elvis é mais um produto a somar-se numa vertente que, pouco a pouco, vai conquistando espaço em Hollywood – aquela que lida com temas espiritualistas. Os fãs do cantor talvez tenham suas ressalvas a detalhes da trama, mas é impossível não simpatizar com o clima de encantamento, autoperdão e redenção que povoa o filme. As interpretações de Keitel, Schaech e Bridget Fonda, como uma imitadora de Marilyn Monroe, e a direção de David Winkler enriquecem esta boa surpresa do ano.

Especulando sobre reencarnação
Divulgação
Oriundi: a reencarnação tratada de forma terna e reverente.
Trazer um astro hollywoodiano para estrelar uma produção brasileira já significa um marco em si, mas Oriundi – filme do diretor Ricardo Bravo com elenco encabeçado por Anthony Quinn – contém um elemento adicional de interesse para os leitores de PLANETA. O tema central é a reencarnação, vista pelos cansados (e a princípio descrentes) olhos de um velho imigrante italiano, Giuseppe Padovani (Quinn), que acompanha, semi-isolado pela entrevação e pela surdez, a desagregação de sua família em Curitiba. O neto (Paulo Betti), cozinheiro brilhante, enfrenta problemas para manter de pé a fábrica de massas familiar e o seu matrimônio; o bisneto (Tiago Real), recém-formado em administração no Exterior, volta com planos mirabolantes para salvar a empresa, os quais o pai vê com desdém, enquanto a bisneta (Gabriela Duarte) parece insatisfeita quanto ao futuro profissional.
As coisas começam a mudar quando uma parente distante dos Padovani, Sofia D’Angelo (Letícia Spiller), chega à capital paranaense para estudar a família como parte de uma pesquisa sobre a imigração. Aos olhos de Giuseppe, Sofia é muito parecida com sua mulher, Caterina. Ela morreu ainda jovem, num acidente de avião, e ele nunca a perdoara por achar que a esposa queria fugir com o piloto. A semelhança é endossada por outras particularidades, como o gosto pela mesma música e os passos de dança parecidos com os que Caterina dava. A pesquisadora começa a se envolver cada vez mais com os Padovani e, com atos discretos, dá um novo rumo a suas vidas, o que faz Giuseppe pensar que realmente Sofia pode ser Caterina, voltando para harmonizar a família que deixara tão precocemente.
Oriundi não avança muito na discussão sobre a reencarnação, mas trata o tema de forma terna e reverente. As fraquezas do roteiro são amenizadas pelo elenco, no qual Quinn desponta indiscutivelmente (Paulo Autran também está presente, como o médico e confidente de Giuseppe), e por uma fotografia que nos brinda com belas imagens de Curitiba e do interior paranaense.

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