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O
xamã celta
Por
Alessandra Nahra

John Matthews (à esq.): primeira
visita
ao hemisfério sul. |
Quem
se interessa por práticas espirituais certamente
já se deparou com o xamanismo e com a cultura celta.
Mas provavelmente nunca os colocou juntos numa mesma frase,
porque aparentemente uma coisa não tem nada a ver com
a outra. O escritor e pesquisador John Matthews também
pensava assim - até que suas pesquisas o levaram a
desenterrar a ponte entre essas duas tradições.

O livro e as cartas
do xamanismo celta. |
Uma
das maiores autoridades em mitologia celta, Matthews tem
cerca de 60 livros publicados na Europa e Estados Unidos,
e está no Brasil para um workshop no qual guiará
cerca de 30 pessoas numa fantástica jornada de cunho
declaradamente celta - apresentando assim aos brasileiros
esta vertente xamânica muito antiga. "O xamanismo
celta se perdeu por volta do século 6 d.C., provavelmente
pelo advento do cristianismo, numa época em que tudo
que era relacionado ao paganismo estava desaparecendo ou tendo
que se esconder". Matthews sustenta, no entanto, que
muitos dos primeiros exploradores cristãos eram xamãs,
apesar de não se chamarem assim. O xamanismo celta
entrou então na clandestinidade, ressurgindo séculos
mais tarde em práticas espirituais como o witchcraft,
ou bruxaria.
"O
xamanismo é a prática espiritual mais antiga.
Numa certa época, era praticado no mundo inteiro",
afirma Matthews. "E quase todas as religiões têm
elementos xamãnicos, ainda que estes não apareçam
com freqüência". O principal destes elementos
que definem o xamanismo é a crença de que tudo
é sagrado e divino. "O xamã se torna um
com a natureza, com o planeta, e se comunica com os espíritos
dos animais e de todas as coisas que crescem". E isto,
diz Matthews, é a linha mestra de todo o xamanismo
- seja ele norte americano, siberiano, brasileiro, celta.
É o que ele chama de "core shamanism", as
principais práticas que estão presentes no xamanismo
de qualquer cultura.
E
o centro do trabalho do xamã é a jornada.
Os toques de tambor transportam o "viajante" a um
transe onde ele encontra os animais de poder, guias e espíritos
que o levarão ao que é preciso ver, descobrir
ou curar. É uma jornada para dentro, mas não
exclusivamente interior. Matthews explica que acessamos um
mundo espiritual que está fora de nós, ainda
que o vejamos sob o filtro da nossa própria história.
"Com a jornada xamãnica, convidamos este mundo,
que está fora de nós, para que entre".
O que encontraremos nessa viagem depende da cultura de cada
um, do contexto e da necessidade psicológica e espiritual.
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