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Sabá
de dois hemisférios
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| Bruxas
louvando a deusa Isis |
Na
religião Wicca existem oito datas importantes, onde
são celebradas as divindades primordiais da Wicca:
a Grande Deusa e o Deus Cornífero. Em ressonância
com as quatro estações, estão simbolicamente
vinculadas à evolução da vida do Deus
Cornífero, conhecido como Cernunos na tradição
celta.
Como
a Deusa é eterna, essas celebrações tentam
expressar de maneira simbólica o nascimento, infância,
adolescência, plenitude e morte do Deus Cornífero,
que sempre volta ao ventre da Mãe para renascer no
ano seguinte jovem e vigoroso, simbolizando o próprio
ciclo do Sol e a passagem das estações do ano.
Essas celebrações são chamadas de Sabás,
e a cada estação comemoram-se dois: no início
da estação e na metade da ocorrência dos
signos fixos de cada elemento.
No
Brasil, os seguidores da Wicca se dividiram entre os que celebram
o Sabá de acordo com as estações do ano
do hemisfério norte, e os que celebram de acordo com
as estações do hemisfério sul. No sábado
à noite, os organizadores do encontro celebraram um
Sabá ecumênico, para atender ambas
as correntes de bruxos, à luz de fachos de fogo e de
uma fogueira que custavam a permanecer acesos por conta do
vento frio que soprava sem cessar.
Em uma das mesas coberta por uma toalha amarela e com várias
peças de pão que formava o corpo de um homem,
foi celebrado o Lammas, Sabá celebrado no dia 2 de
fevereiro no hemisfério sul e no dia 1º de agosto,
no hemisfério norte. Nele se agradecem às primeiras
colheitas e se comemora o sacrifício do deus Sol, o
grão de milho e de trigo, morto pela Deusa Ceridwen
para virar o pão, o alimento que traz vida às
pessoas.
Na
outra mesa, enfeitada de toalhas vermelhas e maçãs,
foi celebrado o Imbolc ou Candlemas, Sabá comemorado
no dia 1º de agosto no hemisfério sul e 2 de fevereiro
no hemisfério norte. Neste ritual se celebra o fogo
e a manifestação deste elemento na terra, quando
se inicia o fim do inverno. Originalmente celebrado em países
europeus, de inverno bastante rigoroso, o Inbolc estava vinculado
ao momento em que as ovelhas começavam a dar leite,
associando-se ao período em que a deusa amamentava
o deus que havia nascido em dezembro.
Depois
de invocados os quadrantes, os quatro pontos cardeais e seus
respectivos elementos, Mavesper e Prieto, que dirigiram a
cerimônia, traçaram o círculo mágico.
Daquele momento em diante, ninguém mais pôde
sair do círculo e só era permitido que se caminhasse
dentro dele em sentido horário. Só durante a
purificação, quando todos os participantes receberam
galhos de árvore, simbolizando pequenas vassouras para
a limpeza, é que se caminhou em sentido anti-horário.
Durante
o ritual, que durou cerca de duas horas, os cerca de 170 participantes
cantaram, acenderam velas, mentalizaram coisas positivas,
jogaram grãos de milho na fogueira e assistiram ao
Grande Rito. Este é um dos ritos mais fundamentais
da bruxaria, e é uma metáfora do ato sexual
sagrado. Nele, o athame, o punhal sagrado, representando o
falo ereto e o princípio fertilizador, é mergulhado
em um cálice que contém vinho, simbolizando
o sangue do útero. A junção dos dois
evoca a união do masculino e do feminino, origem de
toda a vida.
Ao
final, caminhando em volta da fogueira, as pessoas fizeram
pedidos e consumiram os pães que formavam o corpo do
deus sacrificado na mesa de Lammas, as maçãs
da mesa do Imbolc e suco de maçã.
É
um ritual festivo que deve ser ainda melhor quando feito com
menos pessoas, em um lugar mais recolhido. De qualquer maneira,
não havia nada nele que lembrasse a violenta propaganda
da Igreja Católica na Idade Média, que associou
os Sabás a festas orgiásticas e demoníacas,
perseguindo com a fogueira todos os que permanecessem fiéis
às antigas celebrações.
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