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O
Evento
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| Mavesper
Ceriwen, organizadora do evento |
Entre
os habituais freqüentadores do Parque da Cidade em Brasília,
um grupo composto predominantemente de mulheres, vestidas
de preto, protagonizou um evento inusitado: o 2º Encontro
Nacional de Bruxos e Bruxas em Brasília, o BBB.
Quem esperasse um congestionamento de vassouras, rituais de
magia e oráculos sobre o futuro se decepcionaria. Mas
quem olhasse mais atentamente e se dispusesse a conhecer a
arte que elas professam, certamente descobriria
uma visão muito apropriada para um mundo que precisa
cada vez mais se conectar e entrar em devoção
com a natureza.
O objetivo do evento, organizado pela Abrawicca (Associação
Brasileira da Arte e Filosofia da Religião Wicca),
foi promover um encontro entre praticantes da bruxaria e fazer
um trabalho de esclarecimento para as pessoas interessadas
nessa prática. Há muitas pessoas interessadas,
mas poucas têm capacidade de orientar de fato,
explica Márcia Bianchi, 37, uma das organizadoras,
cujo nome de bruxa é Mavesper Ceridwen. Na vida mundana,
ela é uma prosaica advogada e consultora legislativa
da Câmara dos Deputados.
Desde
1952, quando foi revogada a última lei que proibia
a prática da bruxaria na Inglaterra, muitos bruxos
e bruxas se colocaram como descendentes e praticantes do paganismo,
religião centrada no culto à Grande Deusa, que
foi tomando nomes diversos em várias civilizações:
Inana, na Suméria, Ishtar, na Mesopotâmea, Sekmet,
no Egito, Kali, na Índia Ceridwen, no mundo celta europeu.
Modernamente,
os continuadores dessa antiga religião adotaram o nome
Wicca para denominar as várias correntes de bruxaria.
Essa palavra vem do inglês arcaico wicce, origem da
palavra witch, que quer dizer bruxa e significa girar, dobrar,
moldar. É girar, dobrar e moldar as energias
da natureza ao nosso favor, que é um dos objetivos
principais da bruxaria, explica o bruxo e escritor Claudiney
Prieto, 23, autor de Wicca Ritos e Mistérios
da Bruxaria Moderna.
A
partir da década de 50 e, sobretudo, no rastro do movimento
hippie e feminista, a religião Wicca se expandiu pelo
mundo, principalmente na Europa e nos Estados Unidos. Prieto
cita que o último censo mundial dos pagãos,
realizado em 98, apontou a existência de 12 milhões
de seguidores da Wicca em todo o mundo.
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