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Aleister
Crowley e a Golden Dawn
Embora
seja freqüentemente vinculado à Ordem do Golden Dawn, o famoso
e polêmico bruxo Aleister Crowley entrou na Ordem aos 18 anos,
em 1889, e saiu dois anos depois, já iniciado e formando uma
dissidência do grupo. É por essa razão que, apesar de considerarem
o maior mago do século, tanto Shan como Ibis não dão demasiada
importância a Crowley na trajetória da Ordem. "Ele era um
praticante como qualquer outro", diz Shan.
O
falatório de que Crowley e mesmo a Ordem sejam vinculados
à magia negra se deve, para ela, ao fato de que eles são uma
Ordem discreta. "Quanto menos se sabe, maior é o falatório.
Quando entramos na tradição, assumimos esse fardo", diz.
Ela
acha que há exageros no que se fala sobre Aleister Crowley.
"É um absurdo dizer que ele era satanista. Satã, o diabo,
só existe para a Igreja Católica. Seria como se Crowley cultuasse
alguma coisa que não nos pertence. Para nós, Satã não existe".
Shan
acha normal que se vincule a tradição da Golden Dawn à magia
negra, mesmo no meio esotérico, pois mesmo nele há muitas
pessoas "contaminadas" com o cristianismo. Além disso, há
também muita influência do cinema e da literatura na construção
desse estereótipo. "Não tem como se lutar contra isso. Não
vamos mudar a idéia deles e nem vamos tentar mudar", diz a
grã-mestre.
"A
tradição não é praticada por quem adere e sim por quem está
buscando conhecimentos. Por isso ela é restrita. É mais fácil
aderir a dogmas. Nossa vida fica mais difícil, pois vamos
atrás de mais perguntas, mas nós optamos por isso", enfatiza.
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