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Entrevista
As Lições de um aprendiz
Relacionamento humano, fumo, morte, mediunidade, reencarnação, psicanálise, plantas – de tudo isso Chico Xavier falou nesta entrevista assessorado algumas vezes por seu mentor Emmanuel.

A entrevista a seguir, de Fernando Worm, é um excerto de um capítulo do livro Janela Para a Vida (Federação
Espírita do Rio Grande do Sul, 1979), tendo sido publicada integralmente em PLANETA Especial Chico Xavier.

Prensa Três
O livro Nosso Lar nos oferece plena realidade além da morte física.

Você diria que a mediunidade é uma janela voltada para o céu?
Chico Xavier – Se me fosse possível definir a mediunidade, eu diria que ela se parece com uma janela voltada para a vida.

O instrumento da mediunidade tem sido comparado a um telefone. Toca do lado de lá e alguém poderá não atender ao nosso chamado. Às vezes, o chamado vem de lá, mas o aparelho não está em condições de recepção. Esta segunda hipótese ocorre com mais freqüência do que a primeira ou se dá o inverso?
Chico Xavier
– A segunda hipótese é muito mais freqüente nas tentativas de intercâmbio espiritual. Entretanto, qual ocorria nas comunidades terrestres de outro tempo, sequiosas por facilidade de comunicação umas com as outras, antes da era do telefone, há que se esperar a época em que os desencarnados consigam recursos mais amplos para a troca de notícias com os irmãos domiciliados no plano físico, a fim de que o problema seja devidamente solucionado.

Ao descrente não será difícil afirmar que o livro psicografado do espírito André Luiz, sob o título Nosso Lar, é pura ficção científica sob enfoque espiritual. Qual a sua opinião?
Chico Xavier – Pessoalmente guardo a convicção de que o livro Nosso Lar nos oferece plena realidade da vida além da morte física. Os contatos mediúnicos com André Luiz e outras entidades da vida maior não me deixam qualquer dúvida quanto a isso.

Certa vez você disse que, se pudesse escolher, optaria por continuar médium após o seu desencarne. Como se processa a mediunidade em sentido inverso, isto é, ser médium do lado de lá para os que ainda estão domiciliados na Terra?
Chico Xavier – Segundo minhas observações modestas, creio que o médium na Terra pode servir aos espíritos que se comunicam cedendo-lhes, provisoriamente, o corpo físico em que se encontra, e pode igualmente prestar-lhes cooperação depois da existência física cedendo-lhes, também provisoriamente, o corpo de natureza espiritual em que se veja nas faixas de trabalho do mais além.

De acordo com renomados meios científicos, a morte clínica de uma pessoa se verifica quando o cérebro deixa de dar registros de atividade cerebral, mesmo que o coração ainda esteja batendo. Do ponto de vista espiritual, em que preciso instante ocorre a desencarnação da alma?
Chico Xavier – A desencarnação não é uma ocorrência absolutamente igual para todos. Por isso mesmo, consideramos por desencarnação o estado do espírito que já se desvencilhou de todos os liames que o prendiam ao corpo material.

Alex Soletto
Prorrogação da vida graças a recursos artificiais: retenção do espírito a título precário.

Será lícito manter-se uma pessoa viva por recursos inteiramente artificiais quando não reste nem uma só esperança de que essa pessoa possa sobreviver sem tal artificialismo?
Chico Xavier – A ciência na Terra pode, em muitos casos, realizar processos artificiais de retenção do espírito no corpo físico, mas sempre a título precário, sem ligação com as realidades definitivas da vida.

O filósofo Spinoza afirmou: “Um homem livre pensa em último lugar na morte; e sua sabedoria é uma meditação não sobre a morte mas sobre a vida.” Em termos espirituais, é certa tal acepção?
Chico Xavier
– O filósofo apresenta o enunciado com claras razões, a nosso ver, porquanto o homem que se livrou das amarras da ignorância, refletindo na morte, está meditando na vida, compreendendo, perante a imortalidade, que a morte do corpo físico significa renascimento da vida em outras dimensões vibratórias.

Que dizer daqueles que, mais desapegados da vida, amam a morte na certeza de que ela é a libertação para o espírito?
Chico Xavier
– Será justo esclarecer aos que amam a morte, na certeza de que ela expressa libertação, que essa libertação unicamente traduz tranqüilidade e renovação, alegria e progresso quando a criatura humana, dentro de si própria, já se libertou de hábitos e paixões nitidamente inferiores.

O que acontecerá com os líderes religiosos do mundo atual quando ficar cientificamente comprovado ser a reencarnação uma lei tão precisa e inelutável quanto o é, por exemplo, a lei da gravidade? Quando tal ocorrer não haverá modificações profundas no próprio governo terrestre que esteja na administração do planeta?
Chico Xavier
– Os princípios da reencarnação, quando forem aceitos pela ciência da Terra, conseguirão liqüidar aflitivas questões do espírito humano; entretanto, são seria justo, de nossa parte, impor a verdade ou exigi-la em bases de violência. Enquanto na experiência física, saibamos recolher da ciência os benefícios que ela nos consiga prestar, sem reclamar-lhe realizações que ela própria considere de caráter prematuro.

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