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O espiritismo Pós-Chico
Graças
ao seu intenso carisma e a uma respeitável obra, o médium
mineiro foi um dos grandes responsáveis pela solidificação
da doutrina espírita no Brasil.
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Vicente Grecco
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Se
Allan Kardec foi o codificador da doutrina espírita,
ninguém a ilustrou melhor do que Chico Xavier. Quem
quiser analisar o espiritismo em nossos tempos erra feio se
dispensar a notável obra do médium mineiro.
Não que Chico corrija algum erro cometido por Kardec.
Nos livros psicografados pelo brasileiro, tudo está
em consonância com o que o pedagogo francês já
expusera. Os dois conjuntos de obra abordam a continuidade
da vida para além da morte e as conseqüências
disso, especialmente as morais ou seja, é necessário
viver de acordo com parâmetros harmoniosos para evoluir
interiormente. Mapeiam as influências que os espíritos
exercem em nosso dia-a-dia e lançam novas luzes sobre
estados mentais, mostrando como pessoas antes consideradas
loucas podem ser vítimas de interferências espirituais
que, uma vez afastadas, permitem a esses pacientes retornar
ao equilíbrio. Trazem, enfim, uma doutrina consoladora,
segundo a qual vivemos exatamente as conseqüências
de nossos atos, sempre tendo a oportunidade de melhorar, a
partir de agora.
A diferença substancial entre as obras de Kardec e
as psicografadas por Chico é o tom em que elas foram
redigidas. Homem habituado ao ensino, Kardec preocupou-se
sobretudo com a clareza e o didatismo. Como conseqüência,
seus livros podem parecer áridos e insossos para uma
determinada parcela de leitores. Chico, por sua vez, foi canal
não apenas de obras como as preparadas pelo codificador,
mas também de livros que recorriam a outras formas
de linguagem para ensinar lições de espiritismo,
caso das coletâneas de pensamentos, poesias e, particularmente,
dos romances. Por meio desses trabalhos, o leitor com dificuldades
para digerir a teoria pura ganhou outras alternativas, mais
suaves, de conhecer e aprender a doutrina. Resultado: o potencial
de divulgação aumentou drasticamente e colocou
Chico como autor best seller.
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Prensa Três |
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| Allan
Kardec: preocupação em ser claro e didático. |
Não
se pode ignorar ainda o fator tempo. A obra de Kardec é
produto de uma sociedade européia católica da
segunda metade do século 19 e, mesmo que ele alertasse
sobre a necessidade de alterar a doutrina caso a ciência
comprovasse que algum dos conceitos espíritas era falso,
muitos preferem ignorar essa necessária flexibilidade
e, simplesmente, seguir à risca o que está escrito
nos livros com toda a datação que isso
implica. Já os livros de Chico, de meados do século
passado, estão mais próximos dos tempos atuais
e conseguem dar verossimilhança a várias situações
comuns no presente. Como fator adicional, vez por outra antecipam
avanços teóricos ao abrir espaço para
conceitos científicos de vanguarda.
Entre os mais de 400 livros publicados pelo médium
mineiro, um lugar privilegiado cabe, indubitavelmente, à
série Nosso Lar (nome do primeiro título
da série), de André Luiz. Nesses livros, o autor
espiritual aborda, em primeira pessoa, suas andanças
pelo plano sutil depois do desenlace inicialmente como
paciente de instituições de recuperação
e, depois, como estudioso e aprendiz dos inúmeros trabalhos
executados por espíritos mais evoluídos para
auxiliar encarnados e espíritos ainda em desequilíbrio.
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Prensa Três |
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| O
espiritismo vem ganhando um vigor redobrado nesta
transição de milênio. |
Os
textos de André Luiz trouxeram formulações
revolucionárias para a assistência social, empregadas
nas várias instituições espíritas
constituídas a partir das idéias expostas pelo
autor. Nos livros, ele chama a atenção para
a interdependência entre os estados mental e físico
do ser humano e o ambiente ao seu redor. Por isso, as atividades
desenvolvidas nesses institutos buscam incentivar a reforma
interior da pessoa e, a partir de seu reajuste, transformá-la
de assistido em assistente, num trabalho cujas fronteiras
são sempre ampliadas. Os mesmos conceitos podem ser
aplicados em penitenciárias, casas de saúde
dedicadas a problemas mentais, centros de atendimento a drogados
e hospitais especializados.
Um formidável exemplo dessa atuação é
o da Casa Transitória da Federação Espírita
do Estado de São Paulo, que atende desde gestantes
a velhos desamparados, reabilitando e dando uma profissão
a jovens e adultos, mas cuidando em especial das crianças.
Os notáveis resultados obtidos tornaram a Casa um objeto
de estudo para alunos de cursos superiores ligados a essa
área.
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Paula Simas |
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| Sanatório
espírita em Uberaba: incentivo à reforma íntima dos
pacientes. |
O
âmbito científico é onde o trabalho de
Chico revela maior pioneirismo. Muitas das proposições
descritas por André Luiz encaixam-se em modernas teorias
da biologia e da física, enquanto certas idéias
sobre a matéria, o espaço e o tempo ainda escapam
à compreensão integral dos especialistas. Os
livros Evolução em Dois Mundos e Mecanismos
da Mediunidade são, nesse aspecto, os mais importantes
em termos de estudo, mas existe um vasto material de pesquisa
em toda a série Nosso Lar. Lá figuram, por exemplo,
conceitos como o do universo holográfico (cada elemento
contém em si mesmo as informações do
todo), o da divisibilidade das partículas atômicas
e o da origem luminosa da matéria. O parapsicólogo
Hernani Guimarães Andrade reconhece que a linguagem
empregada por André Luiz, voltada para leigos em ciência,
pode parecer excessivamente metafórica e imprecisa
aos acadêmicos mais rigorosos, mas as noções
trazidas pelo autor espiritual têm relevância
indiscutível para quem se dispõe a examiná-las
com isenção.
O Brasil foi, em todo o mundo, o país onde a semente
lançada por Kardec mais frutificou. O advento de Chico
Xavier, com sua respeitável obra e indiscutível
carisma, serviu para solidificar de vez o espiritismo no País
e dar-lhe vigor redobrado nesta agitada transição
do segundo para o terceiro milênio.
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