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O adeus ao Médium
Em 30 de junho, dia em que estava especialmente feliz, Chico
Xavier
morreu de parada cardíaca. Milhares de pessoas foram a Uberaba
para
se despedir do médium.
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Fotos: Leopoldo Silva
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Francisco
Xavier escolheu a dedo o dia de sua morte. Um dia em que
o País transbordava de alegria. Era 26 de junho, um
domingo em que quase todos os habitantes do planeta Terra
estavam de olho colocado na televisão à espera
de uma partida de futebol, a final do campeonato mundial.
Naquele dia, como em todos os outros, ele acordou bem cedo,
fez suas orações e como sempre tomou café
da manhã. Não foi para frente da televisão,
mas quis saber o resultado do jogo. E soube então que
éramos pentacampeões.
E naquela mesma manhã, contaram amigos de meio século,
apesar da rotina, havia alguma coisa diferente. Ele estava
espe-cialmente feliz. Chico Xavier, líder espiritual
dos 2,34 milhões de adeptos do espiritismo, segundo
o IBGE, agradecia por tudo a todos àqueles que encontrava.
Se dizia muito contente entre eles.
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Vicente Grecco |
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| O
médium deitou às 19h20 e, dez minutos depois, morria
serenamente. |
Quando
o domingo anoiteceu, depois de um dia tranqüilo, ele
jantou, pediu café quente e foi para seu quarto na
pequena casa na rua Pedro I, no Parque das Américas,
em Uberaba. Deitou-se às 19h20. Dez minutos depois
o coração de um dos mais importantes homens
do nosso tempo parou, serenamente, de bater. Ele partiu da
mesma forma como viveu, sem alarde, nem estardalhaço.
O médico e amigo há 30 anos, Eurípedes
Tahan, garantiu que foram boas as condições
da viagem: Ele foi sem sofrimento nem dor. Segundo
o médico, que o visitava todas as semanas, a causa
da morte foi parada cardíaca.
Assim que a notícia da morte se espalhou, amigos e
admiradores de todas as raças e credos correram até
ele. Quando a polícia chegou ao local para fazer o
isolamento, 500 pessoas já aguardavam a liberação
do corpo. Chico Xavier foi velado, conforme seu desejo, na
pequena sala azul da Casa da Prece, onde atendeu durante 25
anos. Por lá, desde domingo às 22 horas até
terça-feira na hora do enterro no cemitério
João Batista, passaram 40 pessoas a cada minuto. Em
certos momentos a fila chegou a quatro quilômetros e
os que estavam nela não se importavam de esperar horas
para se despedir.
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| Cerca
de 40 pessoas por minuto foram dar adeus ao médium. |
A
cidade de Uberaba ficou lotada e os hotéis rapidamente
esgotaram suas reservas. Em várias capitais brasileiras
as empresas de ônibus colocaram carros extras para dar
vazão ao volume de pessoas que queriam embarcar para
Uberaba.
Minas Gerais ficou de luto por três dias, Uberaba decretou
feriado e o governador Itamar Franco falou do carinho da alma
iluminada que se dedicava aos pobres.
Chico Xavier, 92 anos, um dos homens mais essenciais do nosso
tempo, soube preparar a sua partida. Ele foi com honras militares,
uma chuva de pétalas e as vozes de um coral. Muito
justo para quem soube tocar de ouvido a música do coração.
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