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O
planeta dos lunáticos
Perdida
no meio do deserto de Nevada, a localidade de Rachel atrai
turistas e legiões de malucos por ufologia
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Alcyr N. da Silva |
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| OSMAR
FREITAS JR. E ALCIR N. DA SILVA (FOTOS), DE RACHEL (NEVADA) |
Cerca de 200 quilômetros a noroeste de Las Vegas, o
deserto de Nevada se estende com um hiperminimalismo tedioso.
O terreno parece uma imensa pele de lagarto - seca, enrugada
e cor de café com leite - posta para secar sob o sol inclemente.
Aqui e ali se vêem manchas esverdeadas ou marrons, impressas
pela vegetação espinhenta. Fazendo as vezes de espinha dorsal
do imaginário réptil, uma faixa negra risca a superfície e
se perde de vista, muito além das montanhas que cercam a região.
A linha preta é a Rota 375, rebatizada pelo governador Bob
Miller, em abril passado, com o nome de Extraterrestrial Highway
(Rodovia Extraterrestre). Nela, desde o topo do Morro do Coyote,
entre os vales Tikaboo e Sand Spring, a cidade de Rachel surge
como uma miragem. Uma espécie de oásis cercado por uma caravana
de 70 trailers definitivamente ancorados em plataformas de
cimento. A própria existência do lugarejo, com as 100 almas
que o habitam, é apenas uma das muitas improbabilidades que
compõem o local. No entanto, acredita-se, ali é o umbigo do
Universo.
É para este específico quadrante do sistema solar que
se dirigem multidões de seres, da Terra e supostamente de
outros planetas. Além, é claro, de objetos voadores quase
nunca identificáveis. Nestas latitudes estão encerrados mistérios
insondáveis. O maior de todos talvez seja: por que diabos
uma turma de ETs sairia dos confins das estrelas para visitar
especificamente este fim de mundo? Imagina-se uma civilização
cujos conhecimentos científicos vão muito além da compreensão
de nossos cérebros de macaco. Gente capaz de navegar pelo
Cosmos. E, apesar disso, usam toda sua fantástica tecnologia
para passear em Rachel. Parece não fazer sentido, mas ETs
têm razões que a própria razão desconhece.
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