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Algo
muito estranho
Caso
tenha participado de uma operação cujo alvo eram extraterrestres,
Chereze jamais comentou a façanha com ninguém. Uma vez, porém,
teve uma reação inesperada quando seu pai lhe perguntou sobre
os alienígenas. "Ele respondeu que aquele era um caso sério",
conta sua irmã, Marta. Em recém-concluído inquérito para investigar
a morte de Chereze, o delegado João Pedro da Silva indiciou
por negligência apenas o médico Robson Ferreira de Melo, tenente
da PM, que drenou um abscesso na axila esquerda do policial
cinco dias antes de ele ser internado no Hospital Bom Pastor,
com infecção pulmonar e urinária. Sem reagir à medicação,
Chereze morreu quatro dias depois, com uma septicemia, confirmada
em autópsia. Um dos médicos da equipe que o atendeu, Cesário
Lincon Furtado, lembra que o abscesso estava curado quando
o soldado chegou ao hospital. Os médicos chegaram a fazer
um exame de HIV, que deu resultado negativo, mas não tiveram
tempo para pesquisar outras síndromes imunológicas. "Uma morte
nessas condições não é normal", afirma o médico. "Mas também
não é sinal de ET".
Envolvido nas investigações sobre os ETs de Varginha
desde o dia seguinte ao encontro relatado pelas três garotas,
o advogado Ubirajara Franco Rodrigues, ufólogo há mais de
20 anos, atesta que o envolvimento de Chereze no episódio
está confirmado em 15 depoimentos gravados em vídeo. São oito
testemunhas militares e sete civis, cuja identidade é mantida
sob sigilo, por questões de segurança. "O caso Varginha não
está encerrado", afirma Rodrigues. "É provável que só venha
a ser esclarecido depois de algumas décadas". Entre os muitos
questionamentos dos ufólogos está a morte de cinco animais
do zoológico da cidade - dois veados, uma arara azul, uma
jaguatirica e uma anta. Sem causa aparente, todos morreram
na mesma época em que a dona de casa Teresinha Galo Glepf,
67 anos, afirma ter visto outro extraterrestre no zoológico,
em abril de 1996. O local, inclusive, deverá receber um clone
de concreto do alienígena.
Há oito anos na direção do zoológico, a bióloga Leila
Cabral estranhou as mortes em série, principalmente a do macho
Banzeco, uma anta de nove anos, cuja estimativa de vida é
de 30 anos. "Ele estava forte e apareceu morto na manhã seguinte
à experiência de dona Teresinha", lembra Leila. "Acredito
que há uma relação entre as mortes e o ET". Por causa de episódios
como esse, mais de 80 estudiosos da ufologia já estiveram
na região. Um deles, o escritor espanhol J.J. Benitez, autor
da série Operação Cavalo de Tróia, chegou a anunciar a descoberta
de marcas do pouso de uma nave espacial. "Isso é completamente
fajuto", diz o engenheiro Claudeir Covo, presidente do Instituto
Nacional de Investigação de Fenômenos Aeroespaciais. "As supostas
marcas não passam de dois buracos de escavadeira e os resquícios
de um cupim arrancado", concorda Rodrigues.
Atualmente os dois ufólogos analisam o depoimento do
microempresário paulistano Carlos de Sousa, que recentemente
se apresentou como testemunha do resgate de um objeto não-identificado
pelo Exército, quando trafegava próximo à cidade. "Quando
me viram, mandaram-me embora", diz Sousa. Os fenômenos relatados
na região já viraram tema de livro - O incidente em Varginha,
do ufólogo Vitório Pacaccini -, ganharam site na Internet
e foram estampados em publicações especializadas em todo o
mundo. "Acho que realmente houve um acontecimento excitante
por lá, com a vantagem de ter acontecido recentemente", afirmou
a ISTOÉ o físico canadense Stanton Friedman, que estuda o
caso Roswell. Um ano e meio depois do episódio, Kátia Andrade
Xavier, 23 anos, uma das garotas que avistaram a criatura,
comenta que ainda pensa muito sobre o caso. "Cheguei à conclusão
de que só pode ser coisa do outro mundo", diz. As outras duas,
as irmãs Liliane e Valquíria Silva, 17 e 16 anos, respectivamente,
não arriscam nenhum veredicto. Só acham que foi algo muito
estranho.
Publicado por ISTOÉ em 25 de junho de
1997.
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Algo
muito estranho
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