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Visões
em série
Por Rita Moraes
Na esteira do ET de Varginha, relatos de avistamentos
de naves espaciais e seres extraterrestres começam a fazer
parte do cotidiano da região. Na noite da segunda-feira 13
de maio de 96, pelo menos três pessoas asseguraram ter observado
a trajetória de um Ovni na Vila Militar de Três Corações,
a apenas dois quilômetros da Escola de Sargento das Armas
(ESA). "Dava para ver nitidamente a cúpula da nave, com uma
base retangular, repleta de pontos de luz, movimentando-se
como se delimitasse um triângulo no céu", conta Luís Fernando
Toledo, 30 anos, auxiliar de secretaria da Faculdade de Ciências,
Letras e Artes.
Antes de desaparecer, o objeto teria passeado pelo
céu por mais de uma hora, tempo suficiente para que o fotógrafo
Afrânio da Costa Brasil, 31 anos, pegasse seu equipamento
e registrasse a inusitada imagem. Ele, porém, preferiu ficar
olhando para o espaço. E nada fotografou. Dois dias depois,
junto com a filha, Emeline, 9 anos, teve que contentar-se
em desenhar, a pedido da reportagem, a imagem que os três
viram. "Não se esqueça das luzes laranja embaixo da parte
redonda", disse-lhe a garota. "Eram como janelas de ônibus,
uma depois da outra".
A tranquilidade de Emeline diante do suposto Ovni está
a anos-luz de distância das emoções que um contato imediato
de terceiro grau provocou na dona de casa Teresinha Galo Clepf,
67 anos. Na noite de 21 de abril de 96, ela saiu para fumar
na varanda de um restaurante, no Jardim Zoológico de Varginha,
onde estava sendo comemorado um aniversário. Ela garante ter
visto atrás da mureta da varanda a cabeça de uma criatura
idêntica à descrita três meses antes pelas garotas da cidade.
"Fiquei pregada no chão, não conseguia desviar meu olhar daqueles
olhos horríveis, esbugalhados e vermelhos", conta. "É a coisa
mais feia que já vi na vida".
Marketing garantido - Em toda a polêmica
despertada pelo ET de Varginha há pelo menos uma certeza.
A cidade mineira de 120 mil habitantes entrou no mapa ufológico
do País. "Não fosse a aparição do extraterrestre, ninguém
estaria falando de Varginha", avalia o publicitário Agnello
Pacheco. "O prefeito está fazendo publicidade sem custos".
Na cidade, o ET é assunto obrigatório. O comércio local não
perdeu tempo e atrai a clientela com figuras estilizadas do
extraterrestre. Na Papelaria Macácri, no centro de Varginha,
um ET montado com isopor, papel de seda e recheado de jornal
velho decora a vitrine e chama a atenção dos consumidores.
"Em 24 anos de comércio, neste mesmo ponto, esta é a vitrine
que mais atrai as pessoas", comemora o comerciante José Maria
da Silva, dono da papelaria. Ele diz, porém, que suas vendas
não aumentaram. "As pessoas querem apenas olhar o ET". O criador
do boneco foi seu sobrinho, Alan Tempesta, 17 anos, que não
acredita em ETs. "Apenas aproveitei a idéia", diz Tempesta.
"Agora só falta o prefeito de Los Angeles promover sua cidade
a partir do doce de leite e do queijo mineiro", diz o publicitário
Washington Olivetto.
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