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Marcianos
de plástico
Cinquenta
anos depois do incidente de Roswell, Força Aérea dos EUA diz
que ETs eram bonecos
Algo
de muito estranho teria acontecido com o cérebro daquelas
pessoas. Por um bizarro processo mental, eventos que elas
presenciaram em 1956 e 1959 teriam ficado registrados na memória
como tendo ocorrido no mês de julho de 1947. Parece até coisa
de filme de ficção científica. Mas esta tese, no mínimo esquisita,
faz parte do relatório elaborado pela Força Aérea americana
para explicar os testemunhos de pessoas que juram ter visto
militares capturarem um disco voador caído e os corpos de
seus tripulantes alienígenas no deserto do Novo México, próximo
à cidade de Roswell, na primeira semana de julho de 1947.
O calhamaço de 231 páginas, intitulado O relatório Roswell:
caso encerrado, foi divulgado no dia 24 de junho de 1997.
Elaborado pelo capitão James McAndrew, da inteligência da
Aeronáutica, procura mostrar que o que foi visto na região,
por mais de três décadas, era, na verdade, uma série de experimentos
secretos da Força Aérea e da Nasa. A tese de McAndrew é bem
razoável, uma vez que essas experiências incluíam bonecos,
engenhocas parecidas com discos voadores e um monte de outras
coisas nunca antes vistas. Mas o que os críticos do relatório
estão achando difícil de engolir é a discrepância entre as
datas das experiências e os relatos das testemunhas. Segundo
a versão da Força Aérea, elas teriam confundido as épocas
dos eventos porque eles aconteceram há muito tempo. "Pessoas
que querem acreditar em Roswell, assim como pessoas que como
eu estão convencidas de que tudo o que aconteceu lá foi feito
pelo homem, vão achar este relatório risível", disse à rede
NBC o investigador de Ovnis Karl Pflock.
Os militares dizem que supostos ETs vistos no deserto
não passavam de bonecos feitos de plástico e alumínio que
haviam sido jogados de balões a cerca de 30 quilômetros de
altitude. Estes bonecos foram lançados de pára-quedas, às
dúzias, a partir da década de 50, para testar sistemas de
fugas de aeronaves que voam a grandes altitudes, como o avião-foguete
X-15 e o avião de espionagem U-2. Algumas testemunhas do suposto
acidente ocorrido em 1947 dizem que corpos de ETs foram levados
para a Base Aérea de Roswell. Outras contam que alienígenas,
com cabeças grandes, caminharam até o complexo militar sozinhos.
A Força Aérea diz que o que esse pessoal viu foi, provavelmente,
os corpos de 11 aviadores mortos num acidente aéreo de 1956
e dois aviadores feridos - e com a cabeça inchada - num acidente
com um balão em 1959. Aparições de "Ovnis" em outras datas,
na região, são atribuídas a outros testes, de aviões ou de
sondas espaciais da Nasa.
Quanto aos detritos metálicos que foram, efetivamente,
descobertos em julho de 1947, em Roswell, os milicos já tinham
afirmado num pequeno relatório de 1994 que eles eram os fragmentos
de um balão acidentado que fazia parte de um projeto ultra-secreto.
O novo relatório informa que aquele balão carregava sensores
desenhados para detectar explosões nucleares soviéticas.
Ao relatar esses testes e acidentes, a Força Aérea
pretende colocar um ponto final na questão. Sobretudo, enfatizar
que não houve nenhum tipo de complô governamental para encobrir
possíveis contatos com seres extraterrestres e suas naves.
Mas é inegável que os anos de silêncio sobre os experimentos
contribuíram muito para aumentar as especulações.
Publicado por ISTOÉ em 2 de julho de 1997.
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