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Hipnotizando
O
trabalho de Hopkins era excelente, mas eu achava que a
situação geral ainda estava confusa. Afinal, as pessoas sempre
afirmaram que muitos acontecimentos estranhos ocorreram com
elas. Viveram vidas passadas. Estiveram em comunicação com
habitantes do mundo dos espíritos e até mesmo com irmãos do
espaço. Viram fantasmas, dançaram com fadas e tiveram experiências
quase mortais e com implicações religiosas. Na minha opinião,
tudo isso poderia ser uma manifestação dos misteriosos meandros
da mente. Talvez esses fenômenos paranormais surgissem da
tendência humana de criar folclore. Ou poderiam emanar do
inconsciente coletivo. De qualquer modo, tais histórias só
poderiam ser explicadas pela psicologia e não pela realidade
objetiva.
O mesmo poderia ser verdade com as abduções. O problema
era que quando lia narrativas de abduções, eu não conseguia
distinguir o sentido verdadeiro da progressão de fatos durante
o acontecimento, do começo até o fim. A maior parte dos relatos
consistia em trechos de histórias, começando com alguma ordem
lógica, mas terminando abruptamente ou se transformando em
vôos selvagens e fantásticos da imaginação. Como historiador,
eu exigia uma narrativa cronológica. Antes de aceitar uma
resposta psicológica para tudo isso, eu precisava de uma informação
clara sobre os relatos de abdução. Eu desejava saber detalhes
exatos, segundo a segundo, começando com a primeira sensação
da vítima de que alguma coisa extraordinária lhe estava acontecendo
quando o evento finalmente parecia haver terminado. Eu precisava
ter certeza da minha prova.
Sabia que para perceber o sentido do que estava ocorrendo
seria necessário que eu mesmo pesquisasse as abduções. Isso
significa que teria de aprender hipnotismo. Eu nunca hipnotizara
ninguém e a perspectiva era assustadora, mas estava determinado
a aprender. Em 1985, Hopkins, que estava conduzindo suas próprias
regressões hipnóticas, convidou-me para assistir às suas sessões.
Discuti técnicas com ele e com outros pesquisadores. Li dezenas
de livros sobre o hipnotismo. Assisti a conferências sobre
a hipnose. Informei-me sobre os perigos e riscos que ela apresentava.
Agora, Melissa Bucknell estava a caminho da minha casa,
imaginando que eu poderia descobrir o que a estava perturbando.
Ela escrevera a Hopkins, descrevendo suas suspeitas e os fatos
fora do comum que lhe aconteceram; e, como ela morava em Filadélfia,
ele havia indicado o meu nome. Quando ela chegou, tentei demonstrar
confiança, mas, no fundo, estava ansioso. Não tinha a menor
idéia do que iria acontecer, se poderia hipnotizar alguém
de forma bem-sucedida, se poderia conseguir com que ela se
lembrasse de acontecimentos de seu passado. Felizmente, Melissa
havia sido hipnotizada anteriormente, de modo que quando comecei
a indução ela caiu rapidamente em estado de transe. Foi fácil.
A parte difícil foi fazer as perguntas adequadas e de forma
correta.
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