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Perda
de memória
Os
únicos relatos de OVNIs que descreviam o interior dos
objetos e o que acontecia neles eram os de casos de abduções.
Mas os poucos casos que os investigadores coligiram, na década
de 70, eram tão contraditórios que se tornava quase impossível
dizer se alguma coisa havia acontecido de verdade e o quê.
Dois homens diziam ter sido abduzidos por criaturas com pele
de elefante, grande nariz alongado e mãos que pareciam garras.
Um outro afirmava ter sido abduzido durante cinco dias seguidos
e que havia visto não apenas pequenos alienígenas como também
um "humano", Uma mulher dizia que pequenos seres atravessaram
a parede da sua casa e a transportaram para o outro planeta.
Algumas histórias de "abduções" envolviam seres benevolentes,
cujo objetivo era trazer paz a Terra e desenvolvimento pessoal
aos felizes receptores do contato. Outros ainda fizeram profecias
de destruição atômica. Apesar de existirem similaridades nesses
casos -- por exemplo, todos os abduzidos reportavam ter sido
submetidos a exame médico --, era fácil relegar esta mixórdia
de relatórios à categoria das fraudes e das alucinações mentais.
Além disso, havia o problema da perda da memória. Praticamente
todos os abduzidos sofriam de uma forma de amnésia que os
impedia de lembrar exatamente o que ocorrera durante o cativeiro.
A técnica preferida para reconstituir essas lembranças era
a hipnose, mas sempre se soube que as lembranças recolhidas
dessa maneira não eram confiáveis. De fato, algumas transcrições
de testemunhos sob hipnose que li mostravam perguntas que
sugeriam obviamente as respostas, bem como deduções incoerentes
sobre as lembranças. Nesses casos, a falta de acontecimentos
reais solidamente pesquisados suscitava desconfiança.
Em 1982, um amigo me apresentou a Budd Hopkins, um
artista internacionalmente conhecido que se interessava pelo
mistério dos OVNIs, desde quando ele mesmo presenciara uma
aparição em 1964. A partir do final da década de 70, Hopkins
se especializara em casos de abdução, e seu primeiro livro,
Missing Time (Tempo Perdido), foi publicado
em 1981. Nesse trabalho pioneiro, ele investigou um pequeno
número de pessoas que supostamente tiveram experiências de
abduções. Fiquei imediatamente impressionado com sua pesquisa
cuidadosa. Usando um psicólogo para hipnotizar, Hopkins coligira
dados de forma muito mais sistemática do que qualquer outro
antes dele. Desse modo, descobriu informações importantes
sobre o fato de as vítimas terem sofrido lapsos curiosos de
memória, cicatrizes misteriosas, exames médicos bizarros e
lembranças do tipo "anteparo" (falsas lembranças mascarando
o que poderia ser a abdução), e chegou até a formular uma
teoria sobre um possível laço geracional entre pais que foram
abduzidos e seus filhos.
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